Chico Buarque e um novo Brasil

Coincidência?
"A Bossa Nova não seria mais possível

Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada

Os brasileiros tem a fortuna de assistir, na mesma semana, a dois filmes espetaculares: o de Guilherme Fontes, sobre “Chatô”, e “Chico, artista brasileiro”, documentário de Miguel Faria Jr.

Chatô resulta mais divertido e menos safado que Roberto Marinho, a quem precedeu na luta para derrubar presidentes trabalhistas.

O Chico é impecável, irretocável, incomparável.

Miguel Faria, Lauro Escorel, Marcos Flaksman e Luiz Claudio Ramos mostram o que a  cinematografia brasileira - e  carioca ! - pode fazer.

E Chico, esse artista brasileiro, de Paratodos !

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro

Chico tem a elegancia de Pixinguinha.

E, assim, nessa chave, dá um murro no estomago desses impeacheiros mediocres, que se escondem no “constitucionalismo” e na fossa do PiG.

A certa altura, Chico fala da Bossa-Nova.

E diz que a Bossa Nova só foi possivel porque o Brasil era atrasado.

Só assim, atrasado, foi possivel uma musica de elite, de Ipanema se impor como um cânone para o Brasil inteiro.

Um Brasil, diz ele, que não ia ao aeroporto …

Agora, não.

Goste ou não goste, o Brasil menos atrasado incorporou novos padroes culturais – o Chico não fala assim, fala mais facil e melhor !

E a Bossa Nova não seria possivel, hoje, com aquela hegemonia.

Com o devido respeito ao seu maestro soberano, Antonio Brasileiro Chico se contém, aí, no rigor de um “retrato em preto e branco”.

Mas, não é dificil ir mais longe.

O Brasil trabalhista, do Lula e da Dilma, levou o povão ao aeroporto.

E trouxe ao palco a musica sertaneja, o forró, o axé  - o que ele, sem mencionar, chama de musica “brega”.

Tudo bem,  diz ele.

Voce pode gostar ou não gostar, mas é a musica do povo brasileiro.

A música que estava escondida, lá atrás, na desigualdade, na falta de inclusão.

Ele e Miúcha, a irmã, lembram que o pai, Sergio Buarque de Holanda, incutiu nos filhos desde cedo a aversáo à desigualdade.

(O filme não trata disso, mas Sergio foi um dos fundadores do PT.)

Amiga navegante baiana – linda e fã do Chico desde o Teatro Castro Alves, no lançamento do Paratodos - anota que Chico abre e fecha o filme com um elegante paletó vermelho.

Como diria o Cae, quer dizer muito, ou não …

Uma única restrição, mínima, irrelevante: faltou o Fluminense no documentário.

Mas, também, do jeito que o Fluminense anda …"

Um comentário:

Anônimo disse...

Isso não é uma resenha, isso é uma babação de ovo e um desrespeito à inteligência do leitor. E burra, passa a maior parte do tempo exaltando as virtudes de uma música "do Povo"—sem reconhecer que a mesma foi distorcida e descaracterizada pelo comercialismo musical—da igualdade, de uma facção política moralmente falida, etc, só para no final dizer que faltou um time de futebol que não só é admitida e desavergonhadamente das elites, mas que sempre agiu (e age) de forma antiética e corrupta driblando a lei sempre que é ameaçado com um merecido rebaixamento. Nota zero.