Meirelles pode dar esperança de um 2016 melhor


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

Faltam ainda algumas semanas para o Natal, mas não devemos esperar mais nada em 2015. Todos agora só querem ganhar tempo para chegar vivos a 2016.

Ganhar tempo virou o grande objetivo na política, mas a economia não tem mais tempo a perder. Este é o grande nó da vida nacional na hora em que todos, empresas e empregados, começamos a fazer o balanço do ano que termina e nos planejamos para o próximo, sempre um momento de renovação de esperanças.

Parafraseando meu velho amigo Zuenir Ventura, autor do best-seller 1968 _ O ano que não terminou, 2015 vai passar para a história como o ano que não começou, passou sem deixar saudades.

Em meio às incertezas sobre o futuro, causadas pela interminável crise política, não poderia surgir notícia melhor do que essa: segundo o jornal Valor, mais respeitável publicação impressa do país, a presidente Dilma Rousseff já está admitindo trocar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central.

As repórteres Andréa Jubé e Rosangela Bittar informam na edição desta terça-feira, sob o título "Cresce pressão para que Meirelles substitua Levy":

"Avança no governo o processo de substituição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com a consequente mudança das diretrizes da política econômica. A sucessão deve ocorrer em janeiro, próximo à virada do ano, conforme fontes da coordenação política e da direção do PT, mas a troca pode ser antecipada para dezembro, se houver agravamento da crise política e econômica".

Para que ficar esperando? Por mais bem intencionado e tecnicamente preparado que seja, o fato concreto é que o plano econômico de Joaquim Levy, baseado unicamente no ajuste fiscal, não deu certo, levando o país à recessão e ao desemprego, com alta dos juros e da inflação. Ao longo do ano perdido para todos, o ministro também foi perdendo apoio tanto dentro como fora do governo e da base aliada no Congresso, contestado pelo empresariado e por lideranças políticas e sindicais.

É como no futebol: quando tudo dá errado, só resta à diretoria trocar o técnico para reconquistar a confiança da torcida, como fez o São Paulo, na segunda-feira, ao demitir Doriva, que ficou apenas um mês no cargo.

Qual seria a diferença entre Levy e Meirelles, se ambos vieram do sistema financeiro e trabalharam  juntos no primeiro governo Lula? Pelo que sei deles, as semelhanças entre ambos terminam por aí. A principal diferença entre os dois está na forma de encarar o grande drama social brasileiro para além dos números.

Conheci Henrique Meirelles em meados dos anos 1990, quando ele comandava o Boston no Brasil, banco do qual depois viria a ser presidente mundial. Com o hoje ministro Aloísio Mercadante, trabalhei no "Travessia", um bem sucedido projeto social do Sindicato dos Bancários de São Paulo criado para cuidar dos meninos de rua do centro da cidade, que Meirelles, um banqueiro, ajudou a colocar em pé.

Era contagiante seu entusiasmo ao ver os primeiros resultados do projeto, a sua alegria nos encontros com as crianças que foram resgatadas das ruas, e passaram a viver com um mínimo de cuidados e dignidade, graças à parceria entre o sindicato e o banco. Até então, Meirelles era um nome conhecido apenas no seu meio, mas este trabalho em pouco tempo o levou a ser entrevistado no programa "Roda Viva", em que falou não somente de economia e finanças, mas da realidade social em que o país vivia.

Nos oito anos de governo Lula, nenhuma decisão econômica importante era tomada sem que o presidente do Banco Central fosse ouvido, o que causou divergências entre Meirelles e outros ministros, entre eles, Dilma Rousseff, então chefe da Casa Civil.

Para o bem do país, no entanto, seria muito bom que esta notícia de Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda seja confirmada pela presidente Dilma Rousseff, gerando um fato novo e positivo na virada do ano.
Vou ficar torcendo.

E vamos que vamos."

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