Humberto Costa é o retrato do ocaso do PT

Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

A imagem de Humberto Costa, líder do partido no Senado, de cabeça baixa, olhos fechados e sem saber o que falar diante do microfone, cercado de parlamentares com expressão compungida, é o melhor retrato do ocaso vivido pelo PT, depois de 13 anos no poder central. A foto de Alan Marques na capa da Folha desta quinta-feira fala por si só.

No dia da prisão de Delcídio Amaral, líder do governo no Senado, o partido mostrou mais uma vez como está rachado e perdido ao enfrentar a mais grave crise da sua história de 35 anos. Antes da sessão do Senado, que manteve Delcídio na cadeia, por conspirar contra a Operação Lava Jato,  corroborando decisão inédita do STF, o presidente do PT, Rui Falcão, tinha divulgado nota oficial na qual afirma que "não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade".

Ou seja, rifou solenemente o companheiro, antes mesmo que ele seja julgado pelo STF. Segundo Falcão, "nenhuma das tratativas atribuídas ao senador tem qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou simples filiado".

Humberto Costa não concordou com a nota do partido, e fez questão de deixar isso claro, ao encaminhar a posição da bancada do PT no Senado, contra a decisão do STF de mandar prender o colega em pleno exercício do mandato.

"A posição da bancada é de votar contra a decisão do Supremo. O que está em discussão é se um Poder pode mandar prender um parlamentar no exercício do mandato. É isso que está em discussão. Posso até estar dando adeus à minha vida pública, espero que não. Mas jamais poderia dar adeus à democracia".

Apenas dois senadores petistas, Paulo Paim e Walter Pinheiro, não seguiram a orientação de Humberto, votando a favor da decisão do STF. Antes, o líder do partido já havia sido derrotado pela ampla maioria do plenário ao defender o voto secreto, mais um motivo de desgaste para o partido.

Cada vez mais isolado no Congresso e com sua base aliada em frangalhos, o PT vai remando contra a maré, no momento em que o governo mais precisa de apoio para aprovar as medidas do ajuste fiscal e poder fechar suas contas até o final do ano. Quem cuidava disso no Senado era justamente Delcídio Amaral. Seu substituto, no entanto, só deverá ser anunciado na próxima semana.
É tudo muito triste, mas esta é a realidade.

Parece que 2015, o ano que não começou, agora não termina nunca. E ainda faltam 36 dias."

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