Franqueza de Paulinho presta bom serviço ao País

"Na maior cara dura, sem um pingo de vergonha, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) foi ao Jornal Nacional e explicou por que seu partido, o Solidariedade, mantém o apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apesar de todas as evidências de corrupção e quebra de decoro parlamentar; "nós do Solidariedade estamos convencidos de que só tem um jeito de fazer o impeachment da Dilma, que é segurar o Eduardo Cunha", disse ele; ou seja, Paulinho revelou, sem meias palavras e sem dissimular, qual era a essência da conspiração liderada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), cujo partido desembarcou hoje do apoio a Cunha, não por razões éticas, mas por motivos práticos – embora Paulinho ainda não saiba, um golpe liderado por Cunha é totalmente inviável; o deputado do Solidariedade assumiu hoje vaga no Conselho de Ética para apoiar Cunha

Brasil 247
Nada como um ataque de franqueza para desmoralizar de vez uma conspiração golpista. O "sincericídio" foi cometido na noite de ontem pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o presidente do Solidariedade, que foi ao Jornal Nacional e explicou por que seu partido mantém o apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
 
"Nós do Solidariedade estamos convencidos de que só tem um jeito de fazer o impeachment da Dilma, que é segurar o Eduardo Cunha", disse Paulinho, na cara dura, sem um pingo de vergonha (confira aqui). Incapaz de defender Cunha, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de suas contas suíças, Paulinho, que é também réu no Supremo Tribunal Federal, explicitou sua lógica – Cunha tem serventia porque pode conduzir um golpe.


Com seu jogo aberto, Paulinho prestou um bom serviço ao País e desmoralizou de vez o projeto tucano. Faltou avisá-lo que golpes e conspirações não são feitos à luz do dia – é preciso dissimular e se mover nas sombras, como vinham fazendo, por sinal, líderes de outros partidos, como o DEM e o PSDB, do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Paulinho ainda tentou convencer os tucanos de que vale a pena negociar os dois votos do partido no Conselho de Ética – assim, se Cunha for salvo, ele poderia acatar um pedido de impeachment. Mas mesmo os tucanos, que lideram a conspiração golpista, disseram não porque sabem que um golpe sob a liderança de Cunha, o vendedor de carne moída para a África, não tem a menor chance de prosperar. 

Por isso mesmo, contra a vontade de Paulinho, os tucanos anunciaram hoje seu desembarque da aliança com Eduardo Cunha. Em nota, a bancada do PSDB na Câmara rompeu com o presidente da Casa, alegando que a explicação do peemedebista não convence e que, em nome da "ética", reitera "de forma ainda mais veemente" o pedido de afastamento de Cunha do cargo (leia mais).
Não porque sejam mais éticos do que Paulinho. Apenas dissimulam melhor suas intenções.

O deputado do Solidariedade assumiu a vaga do partido no Conselho de Ética na sessão desta quarta-feira 11. Ele substitui o correligionário Wladimir Costa, que renunciou alegando motivo de saúde, para que Paulinho possa votar contra a cassação do aliado."

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