Contra tudo e todos, Alckmin fechará escolas

"Secretaria de Educação do Estado de São Paulo anunciou que o decreto sobre a "reorganização" escolar, que prevê fechar 93 unidades, deverá ser publicado nesta terça-feira 1º, apesar da ocupação de nada menos que 204 escolas, segundo a Apeoesp, por estudantes secundaristas até esta segunda-feira, quando os atos completam três semanas; em reunião com dirigentes de ensino na manhã deste domingo, representantes do governo Geraldo Alckmin (PSDB) falaram em organizar "ações de guerra" e "desmoralizar" o movimento, com a ajuda da PM; nesta manhã, um grupo de alunos bloqueou, com carteiras e cartazes, a Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste da capital paulista, por cerca de quatros horas; estudantes dizem querer diálogo, mas Alckmin mantém seu plano sem se perturbar

Brasil 247

Ignorando os pedidos de diálogo e a ocupação de nada menos que 204 escolas, de acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), publicará nesta terça-feira 1º, no Diário Oficial do Estado, o decreto com as mudanças na rede de ensino, que prevê o fechamento de 93 unidades e a transferência de mais de mil alunos.

O gesto vai de encontro à proposta de diálogo feita pela equipe de Alckmin há cerca de dez dias. Na manhã deste domingo, em uma reunião com dirigentes de ensino, o chefe de gabinete da Secretaria de Educação, Fernando Padula Novaes, braço direito do secretário Herman Voorwald, falou em "ações de guerra" para "isolar" e "desmoralizar" o movimento, que completa três semanas nesta segunda-feira 30.


Padula também afirmou, nesse encontro, que o "diálogômetro" do lado do governo só aumenta, enquanto a radicalização está "do lado de lá", em referência aos estudantes. Algo que tem pouco de verdade se observada a decisão de publicar o decreto sem qualquer acordo prévio. Segundo ele, a ideia é ir realizando transferências, deixando "no limite" a escola invadida. O máximo que poderá ocorrer nessas escolas, acrescentou, é "não começar as aulas como nas demais".

Na manhã desta segunda, um grupo de estudantes bloqueou, com carteiras e cartazes, um dos sentidos da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste da capital paulista, por cerca de quatros horas. Os alunos, que estudam em escolas da região, dizem querer apenas o diálogo. Leia mais na reportagem da Agência Brasil:

Estudantes bloqueiam avenida contra reorganização escolar em São Paulo

Fernanda Cruz e Daniel Mello – Um grupo de estudantes bloqueou, com cadeiras e cartazes, um dos sentidos da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste da capital paulista, por cerca de quatros horas na manhã de hoje (30). O bloqueio foi em protesto contra a reorganização escolar no estado de São Paulo. Os manifestantes, que vieram de escolas ocupadas na região, se concentraram na altura da Avenida Rebouças, no sentido Itaim Bibi.

O decreto com as mudanças na rede de ensino deve ser publicado no Diário Oficial do Estado amanhã (1º). O projeto do governo estadual prevê o fechamento de 93 escolas e a transferência de estudantes para outros estabelecimentos. O objetivo é segmentar as escolas em três grupos – anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio –, conforme o ciclo escolar. A estimativa é que 311 mil alunos tenham que mudar de escola no ano que vem. Desde o início do mês passado, quando a proposta da Secretaria de Educação do Estado foi comunicada para os diretores das unidades, vários protestos foram realizados no estado.

O estudante Douglas de Oliveira Ferreira participou do bloqueio da Brigadeiro Faria Lima e conta que houve momentos de tensão com a Polícia Militar, mas sem confronto. O jovem, que participa da ocupação da Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros, e disse que a mobilização é para que os estudantes e professores sejam ouvidos sobre reorganização escolar. "A repressão é uma tática para colocar a população contra os estudantes. Mas a nossa manifestação é apenas para mostrar que a gente quer o diálogo", ressaltou o jovem.

Um transeunte, que chegou a agredir uma estudante com um guarda-chuvas, disse que trabalha na região da Faria Lima e estava revoltado com os transtornos causados pelo bloqueio da pista. Um grupo de motoqueiros também forçou passagem por entre bloqueio. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a zona oeste registrava 47 quilômetros de congestionamento, às 11h, sendo 1,5 quilômetro na Avenida Faria Lima.

Como parte da mobilização contra a reorganização escolar foram ocupadas em todo o estado 199 escolas, segundo estimativa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp). A Secretaria Estadual de Educação diz que até o momento as ocupações atingem 190 estabelecimentos de ensino."

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