BTG chega a cair 40% e fecha em queda de 22%

Paula Barra, Rodrigo Tolotti Umpieres

O Ibovespa afundou nesta quarta-feira (25), depois de seis sessões seguidas de alta, com aumento do risco político e efeito sobre bancos, em dia marcado pelas prisões do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), e o banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual.

As prisões colocaram uma dose de estresse nos mercados e pressionaram, além das ações do BTG Pactual, os demais bancos grandes listados na Bolsa, enquanto puxam a alta do dólar, contribuindo para o movimento positivo de ações expostas à exportação.

O índice foi pressionado também pelas ações da Petrobras, que afundaram cerca de 5% em meio às investigações da Operação Lava Jato e queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

Petrobras (PETR3, R$ 9,66, -7,56%; PETR4, R$ 7,90, -7,06%)

As ações da Petrobras afundaram em meio à queda dos preços do petróleo no mercado internacional, que depois de dispararem na véspera corrigem o movimento hoje. Segundo informações do jornal O Globo, a Petrobras pressiona o planalto por reajuste dos combustíveis. A ideia, entretanto, não tem aval da equipe econômica. Um dos motivos é que um novo aumento dos combustíveis teria impacto na inflação, que este ano deve fechar em dois dígitos, de 10,33%, segundo última estimativa do relatório Focus, do Banco Central.

Além disso, as empresas envolvidas em um suposto cartel de combustíveis, entre elas a BR Distribuidora, podem ser multadas em até 20% do faturamento, se os atos anticompetivivos forem comprovados, informou na terça-feira o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas sedes da BR Distribuidora, da Petrobras, e da Ipiranga, que pertence ao Grupo Ultra (UGPA3, R$ 65,60, -3,36%), além de ter interrogado funcionário da Raízen, joint venture da Cosan (CSAN3, R$ 25,10, -4,20%) com a Shell.

BTG Pactual (BBTG11, R$ 24,40, -21,01%)

As ações do BTG Pactual desabaram após a prisão do presidente do banco, André Esteves, no âmbito da Operação Lava Jato. Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair quase 40%, marcando o pior pregão da história e indo para o menor patamar já registrado na Bolsa, a R$ 18,86.

Não só a queda chamava atenção, como o volume financeiro negociado hoje, que superava em mais de 9 vezes a média diária dos últimos 21 pregões, alcançando R$ 408,3 milhões.

O banqueiro é suspeito de participar de um acordo para interferir na delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, disse a assessoria de imprensa do STF (Supremo Tribunal Federal) citando fala do relator do caso, ministro Teori Zavascki.

O movimento de queda das ações do BTG puxou também a derrocada dos demais bancos listados na Bovespa: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,91, -4,91%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,80, -4,25%; BBDC4, R$ 21,89, -4,87%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,40, -6,45%) e Santander (SANB11, R$ 15,23, -2,99%).

Pouco antes do fechamento da Bolsa, o BTG confirmou os rumores de que o ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida, sócio fundador do BTG e membro do conselho de administração da instituição, vai assumir o lugar de Esteves na presidência de forma interina.

Para a agência de classificação de risco Moody's, a ausência de Esteves pode afetar o rating do banco, enquanto a Standard & Poor's afirmou que não vai ter efeito imediato. Os bonds do BTG caíam forte, assim como as ações nesta sessão: as notas seniores sem garantia para 2020 de US$ 1 bilhão caíam 20%, para 72,4 centavos de dólares, o menor patamar histórico, enquanto as notas subordinadas perpétuas de US$ 1,3 bilhão recuavam 3,1%, para 89,36 centavos de dólares.

Mais cedo, a assessoria de imprensa do banco informou que o banco está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e vai colaborar com as investigações. Esteves foi preso na casa da família, no Rio de Janeiro e a operação incluiu buscas na residência do executivo do BTG Pactual e na sede do banco em São Paulo. A prisão é temporária, com prazo de cinco dias.

BR Pharma (BPHA3, R$ 0,35, -10,26%)

As ações da rede de varejo BR Pharma caíram forte nesta sessão, em meio à prisão do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, que é o maior acionista da empresa, por meio de fundo de investimentos, com participação de 37,8%. Com a queda de hoje, as ações da companhia renovam mínima histórica na Bolsa.

Exportadoras

Figurando praticamente isoladas no campo positivo do Ibovespa, as ações do setor de papel e celulose, voltadas à exportação, subiram hoje puxadas pela arrancada do dólar frente ao real nesta quarta-feira. São elas: Fibria (FIBR3, R$ 56,00, +2,94%) e Suzano (SUZB5, R$ 18,74, +2,35%).

Vale (VALE3, R$ 14,06, -2,83%; VALE5, R$ 11,70, -2,74%)

A Vale deve suspender o pagamento de dividendos em 2016, segundo estimativas do BTG Pactual. O banco atualizou sua curva de produção para a mineradora, enquanto vê menores preços para metais básicos e incertezas dos impactos possíveis causados pela Samarco. Perspectivas que levaram os analistas a cortar o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da Vale de US$ 6,50 para US$ 4,50, com recomendação neutra.

BTG Pactual anuncia programa de recompra de até 10% das units

Reuters - O BTG Pactual informou nesta quarta-feira que seu Conselho de Administração aprovou um programa de recompra de units para uma "aplicação eficiente dos recursos". A decisão foi anunciada depois da queda de cerca de 30 por cento no preço dos papéis na BM&FBovespa, após a prisão do presidente da instituição, André Esteves, mais cedo.

A companhia vai usar recursos do caixa para recomprar até 23 milhões de units. Além disso, o grupo vai pleitear aval regulatório para poder comprar um volume de units superior ao limite previsto de 10 por cento. O prazo da operação é de até 18 meses.

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