Alvaro culpa Aécio por aproximação PSDB-Cunha

"Senador tucano sinaliza querer deixar o PSDB e diz que a aproximação do partido com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo de denúncias de corrupção, partiu da alta cúpula da legenda, presidida pelo senador Aécio Neves (MG); "Essa estratégia de aproximação é um equívoco. Estou dizendo isso publicamente porque sempre disse a mesma coisa nas reuniões. Eu não fui uma voz ouvida nesse caso", afirmou; segundo ele, "a direção do PSDB (Aécio Neves) tem que assumir a responsabilidade por ter se aproximado de Eduardo Cunha"; Alvaro Dias (PR) revela "um desejo enorme de buscar um espaço para ser mais protagonista" e, "a partir desse trabalho, pensar em um projeto eleitoral para 2018"

 Brasil 247

 Um dos principais críticos da relação do PSDB com o presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o senador tucano Alvaro Dias (PR) afirmou que "não há nenhuma razão para aproximação com o Eduardo Cunha, nem com o PMDB".

"Essa estratégia de aproximação é um equívoco. Estou dizendo isso publicamente porque sempre disse a mesma coisa nas reuniões. Eu não fui uma voz ouvida nesse caso. A minha avaliação sempre foi de afastamento.

Poderíamos ter até opiniões coincidentes, mas distantes um do outro", disse o tucano, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, do Paraná.

De acordo com o parlamentar, a aproximação do PDSB com Cunha partiu da alta cúpula, encabeçada pelo senador Aécio Neves (MG). "A direção do partido (Aécio Neves) tem comandado todo o processo. Não posso responsabilizar os deputados porque eles sempre ouviram a presidência do partido. Todas as questões foram levadas à executiva do PSDB", disse Alvaro. "A direção do PSDB tem que assumir a responsabilidade por ter se aproximado de Eduardo Cunha".

Cunha é alvo de investigação do Supremo Tribunal Federal (STF), que, no mês passado, abriu um inquérito, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para apurar crimes corrupção com base em documentação do Ministério Público da Suíça apontando o peemedebista e sua esposa, Cláudia Cruz, como beneficiários de quatro contas no banco suíço Julius Baer, por onde teriam passado milhões de dólares em propina.

As contas secretas na Suíça teriam sido abastecidas com recursos desviados de contrato com a Petrobras. O presidente da Câmara também é investigado por recebimento de propina relativa à contratação de navios-sonda pela estatal. Em delação premiada, o empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, investigado na Operação Lava Jato, confirmou que o parlamentar recebeu US$ 5 milhões em um contrato de navios-sonda da Petrobras.

O Conselho de Ética da Câmara instaura, nesta terça-feira (3), um processo disciplinar para cassar o mandato de Cunha. A representação do Psol e da Rede Sustentabilidade aponta que o peemedebista mentiu ao negar, na CPI da Petrobras, que tem conta no exterior. Aliados de Cunha tentarão barrar o processo em fase preliminar.

Saída do PSDB

Dias afirmou que a mudança de partido faz parte de um movimento de seis senadores (não apenas tucanos) em busca de uma terceira via partidária, fora da polarização PT e PSDB. Além dele, formam o grupo os petistas Paulo Paim (RS) e Valter Pinheiro (BA), os pedetistas Cristovam Buarque (DF) e José Antonio Reguffe (DF), além de José Medeiros, do PPS-MT.

“Há uma insatisfação visível da parte de vários senadores com a situação atual. Há constrangimento de atuação em determinados partidos […] Existe realmente uma discussão entre vários senadores, sobre a busca de um caminho. Aí se fala muito na tal terceira via, que foge desse raio de atuação do PT e do PSDB", disse Alvaro Dias.

"No meu caso, há um desejo enorme de buscar um espaço para ser mais útil, mais protagonista, em um momento tão importante da política nacional, de transição política. Existe realmente uma discussão entre vários senadores, sobre a busca de um caminho. Aí se fala muito na tal terceira via, que foge desse raio de atuação do PT e do PSDB. Mas o nosso objetivo mesmo é buscar uma ferramenta política para atuação no Senado. E, evidentemente, a partir desse trabalho aqui, pensar em um projeto eleitoral para 2018", detalhou."

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