Um dia depois, oposição já vê “legitimidade” em Cunha

"A mesma oposição que pediu ontem o afastamento do presidente da Câmara, para que se defenda de denúncias de corrupção, declarou hoje que ele tem "legitimidade" para ficar no cargo; "O correto seria o seu afastamento pela gravidade dos fatos apresentados, só que existem fatos tão graves ou mais, cuja comprovação já foi feita pelo Tribunal de Contas, das práticas de crime de responsabilidade pela presidente Dilma", comparou Carlos Sampaio (PSDB), sustentando que as chamadas 'pedaladas fiscais' são mais graves do que movimentações financeiras de quase meio bilhão em contas secretas no exterior; "Enquanto a presidente Dilma não renunciar, enquanto o presidente dessa Casa não renunciar, ele tem a legitimidade e a prerrogativa de tomar as decisões", acrescentou; discurso só mostra que, como apontou a jornalista Tereza Cruvinel, do 247, houve ontem um "festival de fingimentos"

Brasil 247

Não demorou 24 horas para que o pedido da oposição pelo afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se comprovasse parte de um "festival de fingimentos", como apontou a jornalista Tereza Cruvinel, em seu blog no 247. Se ontem era melhor Cunha se afastar do cargo, diante das denúncias de corrupção envolvendo seu nome e por ser alvo de investigação na Suíça, hoje ele já tem "legitimidade" para "tomar decisões", pelos olhos dos líderes que protagonizam o golpe.

Os líderes Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Mendonça Filho (DEM-PE), parte do grupo que entregou nesta manhã um novo pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff nas mãos de Cunha, compararam a situação de Cunha com a de Dilma. O primeiro, no entanto, é acusado de operar movimentações financeiras que alcançam quase meio bilhão em contas na Suíça. Enquanto a presidente não é alvo de qualquer denúncia. Para os deputados, porém, o parecer do TCU pela rejeição das contas de 2014 é motivo a equiparação com o deputado.

"O correto seria o seu afastamento do cargo pela gravidade dos fatos que foram apresentados, só que existem fatos tão graves ou mais, cuja comprovação já foi feita pelo Tribunal de Contas, das práticas de crime de responsabilidade pela presidente Dilma", afirmou Carlos Sampaio. "Nem por isso ela deixou de ter legitimidade de indicar ministros, de apresentar MPs a essa Casa. Faz parte da legislação em vigor, enquanto a presidente Dilma não renunciar, enquanto o presidente dessa Casa não renunciar, ele tem a legitimidade e a prerrogativa de tomar as decisões", acrescentou.

Mendonça Filho reiterou as declarações feitas pelo colega de oposição. "Temos uma presidente da república condenada pelo TCU e nem por isso está inabilitada para assinar MP, remeter projetos de lei para o Congresso Nacional e cumprir com as suas atribuições constitucionais. O mesmo em relação ao presidente da Casa. Enquanto ele estiver respondendo pelo comando do poder da Câmara, evidentemente que qualquer ato autorizado por ele tem respaldo jurídico e constitucional", destacou."

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