Que desculpa tem Danielle, a filha de Eduardo Cunha?

Danielle Cunha
Kiko Nogueira, DCM

A Procuradoria Geral da República pediu a abertura de inquérito para investigá-la por causa do imbróglio das contas na Suíça. De agosto a fevereiro de 2012, houve uma transferência de 119,795 mil dólares da conta de Cláudia Cruz, madrasta de Danielle, para a universidade espanhola Esade.

Danielle fez MBA ali durante esse período. Ela é, segundo a PGR, “detentora de cartão de crédito vinculado à conta Kopek”. Em 2008, Cunha lhe havia feito uma transferência de 100 mil, identificada como doação de patrimônio em dinheiro.
Danielle é publicitária e tem 28 anos. Podia ter sido e feito qualquer coisa, mas escolheu trabalhar na “área” do pai. Coordenou a campanha dele para deputado — embora, vamos combinar, quem “coordena” uma campanha de um sujeito como Cunha é ele.

Surfou na influência paterna e conseguiu contratos com alguns dos paus mandados de EC para “assessoria e divulgação” dos mandatos.

Segundo o Globo, Hugo Motta (PMDB-PB), presidente da CPI da Petrobras, André Fufuca (PEN-MA) e Danilo Forte (PMDB-CE) pagaram à empresa de Danielle, a Popsicle, 102,6 mil reais advindos da cota parlamentar.
Todos eles elogiaram a “competência” da moça para executar o serviço. Não, não tinha nada a ver com o poder do sobrenome. Imagina.

A própria Danielle se descreveu como um foguete de empreendedorismo. “Até pela minha condição, pode atrapalhar [o parentesco]. Tenho cinco empresas na área de internet e dez anos de experiência. Meu currículo diz por si só. É aprovado no mercado”, disse. “Um trabalho mensurável. Não tem nada ilegal.

Trabalho para uma empresa privada, que recebe verba de parlamentar.”
Em janeiro, no Facebook, Danielle compartilhou um post de Eduardo negando — uma especialidade— o depoimento de Youssef na Lava Jato em que o doleiro se declarava “ameaçado”.

“Campanha suja dá nisso. Agora a vitória é no primeiro turno e punição para os criminosos”, escreveu Danielle, referindo-se à presidência da Câmara.

Cunha fez o diabo no Brasil por tanto tempo, sem ser incomodado, que seus mais próximos provavelmente acharam que era normal. Se tivesse algo parecido com consciência, o velho manteria a prole longe de seus “negócios”. Michael Corleone, no Poderoso Chefão 3, fez questão de que a filha fosse uma advogada independente (nem assim escapou do destino trágico, mas enfim).

Danielle sumiu desde que o MP da Suíça apareceu. Seu destino dependerá de Eduardo. Como não tem foro privilegiado, ao contrário do pai, está arriscada a ir para a prisão, como Cláudia Cruz. Um acordo de delação premiada de Eduardo Cunha será sua salvação."

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