“Minha vontade era defender Suplicy, mas tive receio”: o relato de uma estudante que estava na Cultura

DCM

A estudante de jornalismo Carolina Castro compareceu à sabatina de Haddad na Cultura, no sábado. Ela enviou a nós o relato do que viu lá.

No último sábado estive em um evento promovido pela rádio CBN, que tinha como objetivo sabatinar o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

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Na plateia, eram 150 lugares destinados ao público em geral. Foram distribuídas senhas uma hora antes do evento começar. Ou seja, um evento aberto a participação de qualquer pessoa.

O bate boca na plateia não demorou a começar. Pixulecos surgiram. Coxinhas x petralhas. A mesma conversa de sempre. Debate raso. A gritaria imperava.

A jornalista e mediadora do evento não demorou a se vender ao público e logo dar o microfone para quem berrava mais. Era uma maneira de conseguir tocar o programa que estava sendo transmitido ao vivo. A promessa das melhores perguntas, aquelas feitas por escrito e entregues à equipe da CBN, logo caiu por terra. Ou seja, ela criticou as alianças políticas do prefeito, mas fez o mesmo – ou pior.

Quando outras pessoas que estavam na plateia pediam silêncio, os exaltados diziam que aquilo era democracia.

Na saída do teatro Eva Herz as pessoas que tumultuaram o evento, que estavam ali não para debater mas apenas gritar, pronunciavam frases como: “Vai para Cuba, Vai para Cuba” e “Comunista, vai estudar”.

Suplicy, que estava presente ao debate, tentou dialogar com eles, em vão. Foi agredido verbalmente diversas vezes, com os gritos de “Suplicy, vergonha nacional”, e acabou se exaltando também. Desistiu de conversar quando dedos apontavam seu rosto, já muito próximo de uma agressão física.

Minha vontade era defender Suplicy, mas tive receio. Celene Carvalho, a manda chuva do grupo,chegou a agredir um jovem que também participava do evento.

Os demais participantes, que estavam ali para debater e não apenas tumultuar, culparam a Livraria Cultura por não tomar nenhuma atitude mais contundente Afinal, agressões ocorreram lá dentro. Mas logo Suplicy se pronunciou e isentou a livraria de culpa.

Mais uma vez: eram pessoas orquestradas para ofender e acabar com o debate.

Não queriam debater propostas e ideias. Fernando Haddad se mostrou completamente intocado pelo ocorrido e saiu com escolta.

Sem dúvida é mais preparado a esse tipo de incidente que Suplicy.

A sabatina não foi proveitosa para ninguém. Tive dó de nós. De todos nós. Dos jornalistas, da plateia, da população que pensa que ganhar no grito é democrático. Pobres de nós."

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