Atolado até o pescoço, Cunha fala em impeachment


"Cada vez mais encrencado em função das denúncias de que recebeu propina, de que mantém contas secretas na Suíça e ainda por ter mentido à CPI da Petrobras, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta sexta-feira 2 que a rejeição das contas de 2014 do governo pelo Tribunal de Contas da União (TCU) pode "turbinar" os pedidos de afastamento da presidente Dilma; "Acho que tem um conteúdo de politicamente turbinar [a apresentação de novos pedidos de impeachment]", disse; "Se você tiver o parecer e ele provocar a rejeição das contas e essa rejeição for aprovada pelo Congresso Nacional, provavelmente será um outro pedido. Vai fundamentar um outro tipo de pedido", completou

Brasil 247

 Se a reforma ministerial arrefeceu os ânimos da base aliada em torno do apoio a um eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso, o mesmo não se aplica ao presidente da Câmara.

Atolado até o pescoço em denúncias, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou nesta sexta-feira 2 que a rejeição das contas do governo referentes ao exercício de 2014 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) pode "turbinar" os pedidos de afastamento da presidente.

"Acho que tem um conteúdo de politicamente turbinar [a apresentação de novos pedidos de impeachment]", disse Cunha referindo-se ao parecer do relator do caso no TCU, ministro Augusto Nardes, que sugeriu a rejeição das contas aos demais integrantes da corte. O caso deverá ser julgado na próxima quarta-feira 7.

A resposta final, porém, deverá ser do Congresso. A oposição aposta que o TCU deverá recomendar que os parlamentares rejeitem as contas por conta das chamadas 'pedaladas fiscais'. A reprovação seria a chama esperada pela oposição para reavivar a fogueira pelo impeachment.

"Se você tiver o parecer e ele provocar a rejeição das contas e essa rejeição for aprovada pelo Congresso Nacional, provavelmente será um outro pedido [de impeachment]. Vai fundamentar um outro tipo de pedido. E mesmo assim, ainda vai ficar naquela discussão de que se trata [de um ato] do mandato anterior ou do atual mandato", disse hoje o presidente da Câmara.

Atualmente, Cunha, que é desafeto do governo desde que passou a ser um dos investigados pela Operação Lava Jato como beneficiário do esquema de corrupção na Petrobras, tem cerca de nove pedidos de impeachment para analisar. Apenas nessa semana, ele já rejeitou cinco. Segundo ele, todos devem ser apreciados em, no máximo, 15 dias.

Nesta semana, veio à tona a notícia de que a Suíça investiga Cunha por corrupção e lavagem de dinheiro. Ficou comprovado que o parlamentar mantém no país quatro contas secretas, por onde passaram dinheiro de propina. Atualmente, há cerca de US$ 5 milhões nessas contas.

Cunha já é alvo de denúncia da Procuradoria Geral da República por recebido ao menos US$ 5 milhões em propina pelo esquema da Lava Jato. A probabilidade é de que o Supremo Tribunal Federal aceita a ação e Cunha se torne réu na corte suprema.

O deputado é ainda investigado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão vinculado ao ministério da Fazenda, por suposto lucro indevido de R$ 900 mil em fundo de pensão. "









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