A diferença entre quem nos dá boas-vindas a jato e quem nos faz tirar os sapatos

Fernando Brito, Tijolaço

Como riam, disfarçadamente, quando o velho Brizola falava nas “perdas internacionais”.

Como debochavam de todos os que não acreditavam que a internacionalização da economia sem limites e o “mercado livre” iam nos trazer a prosperidade.

Que desejo, tão pouco contido, que o Brasil se entregue sem reservas ou oposições, às regras do comércio mundial tal como ele é!

Que mal disfarçada “torcida” para que a China, que perturbou a “pax romana” do trade internacional, decaia e interrompa a ascensão que traz “bagunça” à ordem econômica internacional!

Quem quiser ver o estrago que isso faz, veja hoje a matéria da Folha, relatando que a “Indústria brasileira exporta mais por menos por causa dos preços menores“.


Num mix das exportações,  recebemos US$ 1,5 mil por tonelada exportada, menos  15% do que no ano passado e 25% menos que há quatro anos.

A idolatria do dólar baixo e da “inflação zero” nos travou a expansão e, agora,  o mundo em recessão e deflação quem rebaixa o preço, mesmo com o dólar perto do que deveria, de fato,  valer, torna ela muito, muito difícil.

Não é preciso ser um gênio para ver como, diante disso, escapamos do tsunami da crise de 2008 e 2009.

Enfrentamos dois anos de exportações desvalorizadas com o nosso mercado interno.

Agora, Levy e sua sofisticada teoria econômica de português de botequim, que enfrenta a queda nas vendas demitindo o cearense da cozinha para “cortar despesas” vai nos tirar desta situação com o quê?

Com o “tapinha nas costas” do mercado, bem satisfeito com os juros e dizendo, da queda das exportações, que “oh, é o custo Brasil; ah, é a carga tributária; ih, são os gargalos de infraestrutura com que esta perdulária da Dilma arruinou as contas públicas fazendo o Estado financiar”?

A abertura e diversificação dos mercados, impulsionada por Lula, é tratada como “caso de polícia”. O que temos de ir fazer negócios em Cuba, na África, na Ásia, isso deve ser propina, não é?

A diplomacia brasileira, que brilhou com Celso Amorim, está apagada e acoelhada, certamente com muitos de seus diplomatas entregues à tarefa de  “achar” nas andanças do ex-presidente algo que possam insinuar ter sido “lobby”, como se um presidente não devesse fazer lobby por seu país.

Bom mesmo é ser fiel a quem nos trata mal e arrogante com quem vê no Brasil uma alça para seu progresso e seu comércio.

Posto aí embaixo a recepção do avião presidencial pelos caças Gripen, da SAAB, na Suécia. Puxação de saco, marquetagem? Sim, mas esperem sentados se quiserem que a Boeing nos fizesse 10% disso, porque nos vendeu “30 aviõezinhos”. Os suecos querem mercado e por isso cedem em tecnologia. E ainda financiam a compra.

Os EUA querem só domínio e por isso não entregam a patente nem de radinho de pilha.

Bem diferente de nos mandarem tirar o sapato para entrar, não é?

Relações de troca são, para qualquer empresa, as que lhe dão vantagens e abre seus horizontes. Mas para o país querem sempre o “alinhamento automático” dos dóceis.

Nossa elitezinha medíocre – com seus  meninos da mídia que não conseguem mais do que vôos de galinha em matéria de pensamento – acha uma bobagem, porque comprar caças que defendam o país não é tão importante quanto compra o Iphone 18 que lançaram lá em Nova York.  Pra quê, o mundo vive em paz e não se faz guerra por interesses econômicos, não é?

Isso quando não fazem gracinhas sobre “abater” o avião presidencial do seu país.

É esse o nível dos imbecis que se esmeram em nos transformar num país de imbecis

Nenhum comentário: