Serra pisca para Temer e prega parlamentarismo


"Tido como um dos principais conspiradores em favor do vice-presidente Michel Temer, o senador José Serra (PSDB-SP), pela primeira vez, assumiu que trabalharia para dar sustentabilidade a um eventual governo do PMDB; no entanto, Serra impôs uma condição; "Do ponto de vista político, para mim, uma das condições mais importantes seria a implantação do parlamentarismo, a partir de 2018", disse ele; assim, com a revisão do presidencialismo, aprovado em plebisicito pelos brasileiros em 1993, Serra poderia tentar se tornar primeiro-ministro; na entrevista, ele voltou a prever a queda da presidente Dilma Rousseff; "Não tenho bola de cristal nem estou fazendo torcida, mas está ficando cada vez mais difícil ela permanecer" 

Brasil 247

As divisões do PSDB já são conhecidas. Enquanto o senador Aécio Neves (PSDB-MG) sonhava com um golpe que levasse a novas eleições, para tentar concorrer novamente à presidência da República, o governador Geraldo Alckmin trabalhava para que o governo federal se desgastasse até 2018 para que ele se tornasse o candidato natural dos tucanos daqui a três anos. Enquanto isso, correndo por fora, o senador José Serra (PSDB-SP) sinalizava que apoiaria um eventual governo do vice-presidente Michel Temer.

Neste fim de semana, pela primeira vez, Serra desceu do muro e assumiu sua posição. Ele daria sustentabilidade a um eventual governo Temer, desde que o PMDB se comprometesse com a adoção do parlamentarismo em 2018. Assim, Serra, que sempre se julgou predestinado a ocupar a presidência da República, poderia, ao menos, se tornar primeiro-ministro.

A posição de Serra foi explicitada em entrevista ao jornalista Adriano Ceolin (confira aqui). Nela, Serra se rasgou em elogios a Temer. "Conheci o Michel no movimento estudantil. Ficamos próximos no governo Franco Montoro (1983-1987), quando fomos secretários do Estado. Em 2002, ele foi decisivo para que o PMDB me apoiasse para a Presidência. Na minha opinião, o Michel tem tido uma postura de equilíbrio em relação ao governo. Recentemente, tivemos poucas conversas. Não o vejo conspirando. Como há a possibilidade do impeachment, ele tornou-se uma figura central na política brasileira e, evidentemente, objeto de toda sorte de interpretações", disse ele.

Sobre sua capacidade de governar, mais elogios. "Ele tem muita experiência política e formação intelectual. O próximo presidente comerá o pão que o diabo amassou. Indigesto ou não, terá de fazer isso. É claro que é possível sairmos da crise."

Serra prometeu apoiá-lo, mas impôs condições. "Certamente o PSDB apresentaria algumas condicionantes. Do ponto de vista político, para mim, uma das condições mais importantes seria a implantação do parlamentarismo, a partir de 2018", afirmou. "O PSDB sempre foi parlamentarista. Fernando Henrique, Mario Covas, Montoro, José Richa, eu mesmo e vários outros tentamos aprovar esse sistema de governo durante a Assembleia Constituinte.

Na entrevista, ele voltou a prever que a presidente Dilma Rousseff não chegará ao fim do mandato para o qual foi reeleita há menos de um ano. "Não tenho bola de cristal nem estou fazendo torcida, mas está ficando cada vez mais difícil ela permanecer", afirmou."

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