Quais partidos merecem sobreviver, quais devem ser extintos


Percival Maricato, GGN

Os mais fanáticos por este ou aquele partido ideológico (que tem um programa para organização da sociedade, desenvolvimento da economia, para o país enfim) querem a liquidação dos adversários. Os políticos desses partidos, mais ainda, afinal nada melhor que eliminar a concorrência. São mais de duas dezenas os partidos políticos que concorrem à chave do cofre e a caneta de nomeações, mas poucos os que tem programas para o país.

Petistas e tucanos tem ideologias, pretendem usar o Estado para favorecer a qualidade de vida desta ou daquela classe sócial, principalmente, ainda que possam pensar no país com um todo. Se perguntado a um petista que nota dão a seu partido, em geral a resposta será dez. E que nota aos tucanos? Darão zero. Os tucanos por sua vez, retribuirão, invertendo as notas. Há até intelectuais e jornalistas, ou gente que se pensa com tal, que se manifestam em nossas mídias diariamente e cujas falas denotam isso: um é perfeito e outro totalmente composto de bandidos, corruptos e honestos, é só preto e branco..

A extinção de adversários com bases sociais é impossível. Nem Hitler acabou com camadas expressivas de alemães contrárias ao nazismo. Teve que manter a Gestapo, SS, e outras polícias políticas ocupadíssimas o tempo todo. É evidente que se os coxinhas acabarem com essa raça do PT, outro partido com a mesma posição e ideologia, com outros líderes, aparecerão, pois o PT não é Dilma, Lula, operadores do Lava Jato, mas milhões de brasileiros como dizem as pesquisas, mais de um milhão de filiados. Mesmo agora, no fundo do poço, tem o voto de mais de dez milhões de brasileiros, representam uma numerosa e imprescindível classe social.

O mesmo acontece com os tucanos. Se por um passe de mágica os petistas conseguissem acabar com essa fauna maldita, eles, em poucos meses, ou anos que seja, ressurgiriam como outro nome, mas ideias semelhantes. Os tucanos são expressão de grandes estratos sociais de nosso povo, de um tipo de brasileiro que nasce e se multiplica pelo país, representa particularmente a classe média, o sujeito que acredita na alternativa individual para construir patrimônio (milhões de brasileiros desejam ser empresários, portanto patrões), eles existem em cada estado, cada cidade, cada torcida de futebol, estão em todas as praias.

Para não se perder tempo e energia com quimeras, melhor é combater pelos indecisos, dentro dos limites da democracia, ganhar eleições e fazer o possível com o Estado, respeitando leis e os adversários.

Petistas e tucanos foram condenados a conviver, são imprescindíveis a uma democracia. Há outros partidos menores que representam estratos sociais ou amplas camadas da população com algum tipo de afinidade que se deve respeitar.

Nada disso é verdade no entanto, com relação a partidos fisiológicos, estes querem apenas a chave do cofre e a caneta das nomeações. Fossem mais sensatos e menos amigos dos projetos de poder, petistas e tucanos deveriam estar preocupados também com a liquidação dos fisiológicos, cujas  forças cresceram tanto que já não os deixam desenvolver programas de governo sem  a mancha da corrupção. Esta não se dá apenas pela apropriação de valores monetários, mas também pela distribuição de ministérios, secretarias ou empresas de estados e cidades, nomeação de pessoas incompetentes, verbas para satisfazer currais de deputados e vereadores e tantas outras formas. Ter alguns pontos comuns, como uma reformas política que reduza o número de partidos, não impediria PT e PSDB de continuarem se digladiando pelo poder, que por sua vez exerceriam de forma bem mais efetiva. Há que se obervar ainda  que não apenas os projetos de poder separam esses partidos: certas forças, algumas lideranças políticas, mas principalmente grupos de mídia, estimulam conflito e distanciamento, parecem temer qualquer aproximação entre eles."

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