Youssef repete CPI que houve propina a Aécio mas jornais acham que “não vem ao caso”


Fernando Brito, Tijolaço 

Fiquei procurando, em vão, menção no noticiário ao que disse Alberto Youssef sobre as propinas que pagou, segundo ele, a uma diretoria de Furnas que seria “dividida” entre José Janene, do PP, e Aécio Neves, cujo pai, Aécio Ferreira da Cunha, foi membro do Conselho de Administração da Empresa.
Nada.

Silêncio sepulcral, apesar de Youssef ter falado nisso suas vezes, segundo a “narração” do seu depoimento, feita em tempo real pelo Estadão:
  • 16h02: Youssef volta a confirmar o esquema de repasses na diretoria da estatal energética Furnas, que segundo ele possuía uma diretoria dividida entre Aécio Neves e José Janene;
  • 18h12 :Deputado Jorge Solla (PT-BA) volta a questionar sobre episódio envolvendo a propina em uma diretoria de Furnas, dividida entre PP e PSDB, e também o repasse de recurso para a campanha do senador Antonio Anastasia ao governo de Minas Gerais em 2010;
  • 18h14: Youssef confirma que mandou dinheiro para Belo Horizonte, mas diz que não sabia que era para Anastasia. O doleiro afirmou ainda que só o Jayme Careca, que entregava dinheiro para ele, saberá falar quem entregou o dinheiro; 
  • 18h15: Doleiro também confirma sua versão sobre propina em Furnas e diz que Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu propina na estatal de energia pelo que ele ouviu na época;
  • 19h06: “Não podemos dizer que alguém que foi aqui denunciado por Youssef, como Aécio em um esquema nebuloso de Furnas, possa sem ser investigado ser declarado inocente”, conclui o deputado Paulo Pimenta.
Não vou nem falar sobre a confirmação dos R$ 10 milhões para Sérgio Guerra e dos R$ 20 milhões para Eduardo Campos, que estão mortos e não são, por isso, mais “notícia”, embora meu parco entendimento diga que, sendo dinheiro público o que se usou nestes pagamentos, é dever da Justiça procurá-lo e reavê-lo.

Mas a reiterada acusação a um senador da República, candidato a presidente e – segundo seus próprios delírios – “presidente moral do Brasil” vai continuar sendo ignorada?

O ministro Gilmar não vai pedir investigações?

Os jornais não vão buscar mais detalhes: quem pagava, como pagava, quem levava, quem recebia – a bufunfa?

Vamos ficar no “não vem ao caso”?

Ninguém quer tomar a palavra de um bandido da cepa de Youssef como verdade, mas – ao contrário de tudo o mais que ele falou – não se vai investigar?

E a acusação a Pallocci, sobre a qual Youssef diz que “tem um outro réu colaborador que está falando. Eu não fiz esse repasse e assim que essa colaboração for noticiada, vocês vão saber realmente quem foi que pediu o recurso e quem repassou o recurso”.

Como assim? Youssef participa das negociações de outros delatores? É combinado? Uma delação que, até ser homologada, deveria correr em absoluto sigilo, é do conhecimento do doleiro?

Será possível que o Judiciário brasileiro aceite – perdão pela palavra – esta “esculhambação”?

Houvesse um pouco de brio e Youssef estaria agora sendo interrogado sobre como obteve informações sobre delações em negociação com o Ministério Público.

Mas não há."

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