Virando um DEM, o PSDB prejudica o Brasil


Ion de Andrade, GGN

"O artigo de Bresser Pereira, "À altura do momento", apontando para a necessidade de uma trégua em favor do país e contra o impeachment e a afirmação de Roberto Setúbal, presidente do Itaú de que não há motivos para “tirar Dilma” explicitam uma séria crise entre o PSDB e as suas bases.

Essa constatação não merece grandes aprofundamentos, porém vale lembrar que com a implosão do DEM, principal aliado do PSDB no nível nacional, houve uma apropriação por certo setor do PSDB do discurso e das práticas desse aliado, como ocorre quando alguém herda um espólio.

Por assim dizer o PSDB foi demizado ou arenizado.

Hegemonizado por setores ligados ao coronelismo nordestino e às elites rurais de Minas vai o PSDB singrando uma trajetória que o afasta mais e mais dos segmentos empresariais paulistas e cariocas, que no entanto, a bem do partido e certamente da democracia, deveriam ser hegemônicos.

Não considero que a crise se supera pelo quanto pior melhor, ao contrário, tal como vê Bresser Pereira, precisaríamos de devolver à política brasileira a condição do respeito institucional e do processo democrático, tudo o quanto essas tradições rurais e coronelísticas não praticam.

As manifestações cada vez mais amplas dos segmentos empresariais, tanto do capital industrial quanto do capital financeiro divergentes da linha política adotada pelo principal partido conservador do Brasil, permite interpretar que o PSDB ruma para um forte isolamento ante as suas bases empresariais. Penso que manter-se nessa via seria um erro estratégico maior para o partido.

O risco é o de uma maior e mais longa crise de representatividade entre os segmentos da sociedade brasileira e os partidos que deveriam representá-las, pois não se cria um novo partido do dia para noite. Pior isso pode fortalecer segmentos saudosistas da ditadura no seio do próprio PSDB.

O empresariado não virá para o PT, obviamente. Com o seu partido de referência atuando de forma irresponsável a seus olhos será obrigado a manifestar as suas opiniões por fora do quadro partidário de forma cada vez mais frequente, ao tempo em que a extrema direita rural, herdeira do DEM, acumulará força no partido.

A manter-se essa situação no médio prazo o partido perderá a sua representatividade junto aos setores empresariais por ter aderido ao componente mais atrasado do seu espectro político. O partido que está melhor posicionado para ocupar esse espaço em São Paulo é, obviamente o PMDB.

O PSDB corre o risco de virar um DEM. Um risco, pois como a história recente já provou, parece que a nação não adere mais ao coronelismo.

É a falta que fazem Franco Montoro e Mário Covas. Quero crer que dariam maior resistência a Cunha Lima e Aécio..."

Um comentário:

Sam disse...

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