Reunido com tucanos em São Paulo, Cunha diz que Temer foi 'sabotado' no governo

Fernando Capez, Cunha e Antonio Anastasia, na reunião na Unale
"Presidente da Câmara, acompanhado por José Serra e Aloysio Nunes, se recusa a responder sobre Lava Jato, volta a defender saída do PMDB do governo e diz “torcer” para vice deixar articulação política 

 Eduardo Maretti, RBA

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse hoje (24), na Assembleia Legislativa de São Paulo, que ainda não pode confirmar que Michel Temer está de fato deixando a articulação política do governo, mas repetiu que o vice-presidente deve deixar o posto. “Ainda não sei se ele efetivamente saiu, mas torço para ser verdade. Eu mesmo já estava ponderando que ele deveria deixar”, afirmou. “(Temer) Foi muito sabotado nesse tempo todo e as condições políticas vão mudando. A saída dele da articulação, se confirmada, é um bom sinal para ele."

Cunha participou no parlamento paulista do Encontro dos Presidentes das Assembleias do Brasil. A pauta foi o "Pacto pelo fortalecimento da competência dos Estados", a partir da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 47/2012, cujo relator é o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). Antes da sessão no plenário, Cunha participou com deputados de todo o país de reunião da diretoria da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale).

Enquanto se encaminhava ao microfone, Cunha foi objeto de manifestação de ativistas que gritaram palavras de ordem ("Fora Cunha, pode esperar, a tua hora vai chegar") e saíram rapidamente do auditório Juscelino Kubitschek.
Segundo especulações da mídia, Temer estaria disposto a participar apenas da “macropolítica” e não mais de negociações sobre temas como cargos e emendas de parlamentares.

Cunha recusou-se a responder, em entrevista coletiva, sobre qualquer questão relativa à Operação Lava Jato. “Não falo sobre esse assunto. Esse assunto é para meu advogado.” Na semana passada, ele foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção e lavagem de dinheiro. Perguntado se vai deixar o cargo durante a investigação da Lava Jato, respondeu pela segunda vez: "Eu não falo sobre isso". O presidente da Câmara também não quis comentar o protesto. Disse que não ouviu.

Questionado se os movimentos de Temer ou a eventual saída do vice-presidente da coordenação política seria “mais um passo” para o seu partido deixar o governo, Cunha respondeu: “Não sei se a saída dele da articulação é mais um passo, mas para nós, que defendemos a saída, é um fator positivo".

Questionado também se o PMDB deve deixar os cargos que tem no governo, declarou que sim, se a legenda decidir pela saída. “Defendo que o PMDB, no Congresso, saia do governo.”

Na mesa, o presidente da Assembleia paulista, deputado Fernando Capez (PSDB), foi ladeado por vários caciques da oposição ao governo Dilma Rousseff. Entre eles, os senadores tucanos de São Paulo José Serra e Aloysio Nunes Ferreira e o vice-governador paulista Márcio França (PSB).

Cunha tratou também de avisar à senadora Marta Suplicy, em sua chegada ao partido, que ela deverá ter um comportamento sem “prerrogativas”. “Uma senadora de boa atuação. A vinda de qualquer pessoa, para agregar, é sempre positiva”, analisou, para ressalvar em seguida: “Desde que venha dentro de um ambiente da convivência, da disputa, com harmonia, para poder ganhar seu espaço. Não que venha detentora de qualquer prerrogativa, privilégio. Como mais um quadro dentro do PMDB, é muito bem-vinda”.

Capez comandou os trabalhos e garantiu que a sessão, realizada no Plenário Juscelino Kubitschek, o principal da casa, não tem conotação política e sua motivação é “técnica”.

Além de representantes das assembleias legislativas dos estados brasileiros e dos caciques na mesa, o plenário foi ocupado por deputados da base de sustentação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), incluindo os líderes do governo, Cauê Macris, e do PSDB, Carlão Pignatari.

Eduardo Cunha voltou a afirmar à imprensa que os processos de impeachment na Câmara estão sendo analisados “tecnicamente”. “Os processos que não tiverem vício formal, estão sob análise técnica. Ao fim da análise, será proferida minha decisão, e essa decisão será dada com base em aspectos técnicos", garantiu.

O parlamentar prevê para setembro uma definição sobre a próxima reforma que pretende fazer andar na Câmara, a tributária. A ideia, segundo ele, é que o tema possa ser objeto de uma emenda aglutinativa, reunindo as muitas propostas que tramitam na Câmara, e ser levada ao plenário em setembro.
O objetivo dos deputados reunidos na Assembleia paulista foi reunir forças em apoio à PEC 47/2012, defendida pelo relator Anastasia ao microfone. A PEC permite que as Assembleias Legislativas possam legislar sobre temas hoje privativos da União, como direito processual, trânsito, transporte, licitação e direito agrário, entre outros."

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