Lula vai inflar ou desinflar, como candidato?


Fernando Brito, Tijolaço

Em meio a esta polêmica imbecil sobre o boneco inflável do ex-presidente Lula com roupa de presidiário (um processinho “básico” sobre seus donos e exibidores resolveria o problema) o fato político relevante é a admissão clara que Lula fez, ontem, de que será candidato a presidente em 2018.

Claro que todo mundo sabe, e faz tempo, de que esse  é o provável rumo do ex-presidente, embora fosse, em condições normais, muito cedo para assumi-lo.
Faltam três anos para a eleição, afinal.

Mas não há outra alternativa para Lula senão esta, porque ele já foi “lançado” candidato há muito tempo, e justamente pelas forças que se opõem ao projeto político que ele representa.

Lula, faz meses, é objeto da mais impiedosa campanha de destruição política e moral que um líder deste país já sofreu desde Getúlio Vargas.

Lula não tem um apartamento no Leblon, como Aécio Neves, muito menos falam dele as más línguas que possua um “cafofo” na Avenue Foch, crème de la crème de Paris. Mas o apartamento que nem comprou no Guarujá – este “paraíso do Caribe” –  é o prato predileto das notícias  de O Globo.

Seu filho não tem emissoras, nem sociedade com o grupo Disney, mas é “sócio” da Friboi, mesmo sem ter uma ação sequer do frigorífico. Quando muito, com aqueles hábitos de “ralé” – seu pai vai pra a praia carregando isopor – pode ser que compre uma picanha ou um cupim daquela marca para assar num churrasco.

A “exploração de prestígio” que Lula  faz, mundo afora, defendendo produtos e empresas brasileiras é um indigno “lobby”. E o dinheiro que empresas – inclusive a Globo, sua detratora-mor – lhe pagou para explorar o tal  prestígio por palestras e eventos “deve ser” remuneração disfarçada de “negócios escusos”.

Lula é o alvo.

Por isso, sua frase, ontem, ao participar de um seminário com o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica:

– Você só consegue matar um pássaro se ele ficar parado no galho. Se ele voar, fica difícil.

Acertou em cheio.

Lula precisa mover-se e entrar no centro da polêmica.

Ele tem sangue frio, experiência e “tempo de janela” para enfrentar toda esta turma com verdades.

E tem, sobretudo, uma trajetória que o faz surgir como esperança em tempos de confusa perplexidade que vive o povo brasileiro, que viu a presidenta que elegeu se calar e agir de forma errática e contraditória  logo que  se fecharam as urnas.

Mas tem que se comportar como pássaro, não deve e não pode ficar preso ao terreiro governista, onde parte da turma esqueceu o que foi e outra parte jamais chegou a ser em tempo algum.

Ao contrário do Governo, que não sabe e já não pode buscar o enfrentamento, Lula precisa dele, até porque contra ele se move uma guerra de extermínio político.

Lembro do que dizia, sobre isso, o velho Brizola, em 1982: “eu sou como pão-de-ló, quanto mais me batem, mais eu cresço”.

Quem, no Brasil, pode se oferecer como esperança, pode sinalizar um tempo de bonança tão desejado em meio à crise?

Fernando Henrique e seus tucanos?

Cunha e seus processos?

Sérgio Moro, o Datena do Direito?

Ninguém, ninguém mais que Luís Inácio Lula da Silva, que tanto  pode vestir a toga de Doutor Honoris Causa da Universidade de Salamanca como entrar num botequim no Capão Redondo, em São Paulo,  ou em Olaria, subúrbio carioca.
Talvez, no Brasil, só não lhe convenha andar na Avenida Paulista, convertida em “coxódromo” por algumas dúzias de fanáticos.

A população, na sua tantas vezes inconsciente sabedoria,  percebe Lula como saudade, tanto quanto a elite, parte dela, também o percebe como medo, embora racionalmente não tenha porque se queixar de seus governos.

Por isso mesmo, Lula só pode ser enfrentado pelo ódio e o ódio – perguntem aos marqueteiros – é o pior dos combustível na política e, sobretudo, em eleições.

Lula disse ontem que “voltou a voar”.

Só quem pode fazer isso é quem estiver leve e puder mirar o céu."

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