Falas de Temer e Mercadante mostram um Governo sem forças para lutar


Fernando Brito, Tijolaço 

As entrevistas de Aloysio Mercadante e de Michel Temer, hoje, são, não há como negar, um “jogar a toalha” do Governo Dilma.

Claramente o que se está propondo é permitir a continuidade formal do Governo, mas sem sua própria identidade. Melhor dizendo, sem a adesão total ao projeto nacional que, herdado de Lula, tentou-se manter no primeiro mandato e prometeu-se continuar no segundo.

Nem mesmo esta capitulação – que, certamente, foi decidida diante do quadro de desagregação da base aliada no Congresso – talvez funcione, porque foram nove meses de omissão – sete do segundo governo e dois entre a eleição e a posse – de perda de comando político do país, mesmo com a vitória das urnas.

Há saliva demais na boca de boa parte da oposição partidária e extra-partidária – esta já empolgada até a medula com um projeto fascistóide, que, se não empolga as massas, ainda assim chantageia as demais forças de direita, que teme ser colocada no “saco” de uma acordo político.

Ainda assim, reconheça-se, parece ser o possível para Dilma Rousseff, que escolheu se tornar um lame duck (“pato manco”, expressão comum nos Estados Unidos para presidentes incapazes de se reeleger ou de fazer seu sucessor, que governam formalmente, mas sem poder real).

O outro caminho, o de mobilizar a população, já não estava aberto, desde que, há tempos, ela recusou o papel de líder da mudança política e passou a preocupar-se mais com a imagem de sua honradez, a qual jamais se questionou.

Os 7 a 1 da Alemanha na seleção brasileira talvez sejam o melhor retrato dos sete meses do segundo Governo Dilma, onde se assistiu, com total apatia, o “baile” do adversário.

Poderia ter mudado de atitude no um a zero, no dois a zero…
Mas congelou…

Resta contar que seja verdadeira a história do técnico alemão de que orientou seus comandados a evitarem a humilhação.

As forças que representam a mudança precisam encontrar – ou reencontrar, com Lula – o seu caminho.

Talvez, como no futebol, precisemos recobrar o espírito das “feras do Saldanha”.
O que, sem Saldanha, parece difícil."

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