Em vez de se defender, Cunha só quer se vingar


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Com o mesmo ar prepotente e desafiador dos seus tempos de todo-poderoso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, reagiu de forma irada à denúncia de corrupção contra ele protocolada no Supremo Tribunal Federal, no começo da tarde desta quinta-feira, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot:  em vez de se defender, só pensa em se vingar.

Desde que seu nome apareceu nas investigações da Operação Lava Jato, em julho, acusado de receber uma propina de U$ 5 milhões para facilitar negócios na Petrobras para a empresa Samsung Heavy Industries, fabricante de navios.

Cunha simplesmente negou tudo e ameaçou botar fogo no País, acenando com a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
Em reunião com sua tropa de choque na noite de quarta-feira, quando já era dada como certa a denúncia contra ele, o presidente da Câmara levantou a suspeita de um "acordão", envolvendo Dilma, Janot e o presidente do Senado, Renan Calheiros, também investigado pela Lava Jato.

"Se os petistas e Renan não entrarem nas denúncias, vai ficar muito claro que houve um acordão para me enfraquecer. É muito estranho este direcionamento pra mim, nessa primeira leva de denúncias. E Janot vai começar a ser questionado, porque depende do Senado e do governo para ter sua recondução aprovada no Senado", segundo relatos dos presentes à reunião ouvidos pelas repórteres Maria Lima e Isabel Braga, de O Globo.

Renan Calheiros já marcou a sabatina de Rodrigo Janot para o próximo dia 26. Até lá, Cunha e o ex-presidente Fernando Collor, também denunciado, dirigirão suas baterias ao procurador-geral na tentativa de impedir sua recondução ao cargo, para o qual já foi indicado pela presidente Dilma. Deputado federal eleito pelo PMDB-RJ, Cunha entrou na vida pública nos anos 90 levado pelas mãos de Paulo César Farias, ex-tesoureiro de Collor, já falecido.

O clima político em Brasília, que já estava muito pesado, sempre pode piorar."

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