Será possível um encontro de Lula com FHC?


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

Pode não dar em nada, pode nem acontecer, mas não custa tentar. Alguma coisa precisa ser feita com urgência pelas principais lideranças políticas do país na busca de caminhos comuns capazes de contribuir para o enfrentamento desta guerra sem fim que já ninguém aguenta mais.

É o que penso da notícia publicada pela Folha desta quinta-feira repleta de novas más notícias na economia sobre um possível encontro entre os ex-presidentes Lula e FHC para discutir a crise.

Diz o jornal: "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou amigos em comum a procurar seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. O objetivo imediato do movimento é conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff".

A assessoria do Instituto Lula apressou-se em desmentir a informação e afirmou que o ex-presidente não tem interesse em conversar com Fernando Henrique Cardoso. É pena. Como Lula não dá entrevistas, seus assessores criticam "relatos anônimos que servem apenas para alimentar especulação".

Por sua vez, FHC, que está passando férias na Europa, enviou e-mail à Folha mostrando-se disposto ao diálogo:

"O presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas comuns, como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento público".

É o primeiro sinal de civilidade e de esperança que encontro nos últimos meses nesta insana luta entre petistas e tucanos que se arrasta e acirra desde a última campanha eleitoral, uma batalha em que todos saímos perdendo.

Se não houver um mínimo entendimento entre governo e oposição, afinal, a reforma política continuará nas mãos dos Eduardo Cunha da vida e sua tropa de choque do baixo clero, enquanto os juros e a inflação disparam, e o PIB e o emprego despencam.

Repito o que escrevi aqui na semana passada quando Cunha ameaçou explodir tudo: "É hora de baixar a bola e pensar no país".

Vida que segue."

Nenhum comentário: