“Presidente da república” e “oposição ao Brasil”: a lição dos atos falhos de Aécio

Enquanto isso, no mundo bizarro
"O teatro que o PSDB está fazendo em torno do impeachment, dizendo que não trabalha para isso enquanto conspira abertamente, é talvez a página mais abjeta da história do partido.

Na convenção, no último domingo, Fernando Henrique Cardoso, triunfal, afirmou que o PSDB “está pronto para assumir”. Mais: “Nunca como antes se roubou tanto neste país”.

Ora, para além da conversa fiada lacerdista, o “nunca como antes”, segundo o próprio ex-presidente, precisa incluir seu próprio governo. É uma confissão de um homem que, na melhor das hipóteses, se atrapalhou com as palavras, ainda que tenha vivido delas.

O diabo mora nos detalhes e Aécio Neves cometeu o ato falho do ano numa entrevista a uma rádio gaúcha. Comentando a entrevista de Dilma à Folha, Aécio insistiu na defesa de que não pratica golpismo. “Nosso papel é agir com responsabilidade, garantir que nossas instituições, em todas as suas instancias, ajam com independência”, disse.

“Felizmente para a presidente, quem está na oposição somos nós, que temos agido com absoluta responsabilidade”, continuou o organizador de uma viagem absolutamente sem sentido à Venezuela com mais sete colegas.

E então a deixa: “O que nós dissemos na nossa convenção, que me reelegeu presidente da república, é que o PSDB é um partido pronto para qualquer que seja a saída”.

Presidente da república.

A obsessão cala tão fundo em Aécio que ele não achou que fosse o caso de sequer corrigir mais adiante. A tese de seu grupo tem sido a do afastamento de Dilma e de Temer. Com isso, haveria uma nova eleição em noventa dias com ele como o candidato mais provável dos tucanos.

A ideia de inflamar a própria militância e engordar as ruas para os próximos protestos — existe um marcado para o dia 16 de agosto —, apostando na instabilidade, não é nova. No que o PSDB se transformou? Num outro lapso, desta vez à Rádio Itatiaia, Aécio de novo resumiu: “O PSDB é o maior partido de oposição ao Brasil”.

Se tudo sair conforme esse script, daqui a 50 anos um mea culpa resolve."

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