É hora de baixar a bola e pensar mais no país


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Após anunciar o rompimento e ameaçar "explodir o governo", Eduardo Cunha foi para o tudo ou nada. Ocupou o centro do palco da mídia o dia inteiro. E terminou esta sexta-feira isolado no PMDB, sem receber o apoio nem da bancada suprapartidária do baixo clero que ele montou para se eleger e comandar a Câmara como bem quis _ pelo menos, até agora.

Quem vai querer ficar daqui para a frente ao lado do "homem-bomba", como bem definiu minha colega Chris Lemos, aqui mesmo no R7?

O tal pronunciamento em rede nacional de ontem à noite foi um completo fiasco. O objetivo claro era assustar o governo e o país, mas foi uma peça tão tosca e burocrática, na forma e no conteúdo, para mostrar seus próprios feitos, que fez lembrar os piores momentos de Amaral Neto, também conhecido como Amoral Nato, jornalista e marqueteiro da ditadura militar, a quem o atual presidente da Câmara lembra muito.

Tudo que Cunha conseguiu foi provocar um "barulhaço" de protesto contra ele próprio em várias capitais e receber críticas generalizadas de seus pares do PMDB e até das oposições partidárias e midiáticas, aquelas que aceitam qualquer coisa para desgastar o governo.

Agora, ele, que queria usar o "pronunciamento" para se lançar como candidato a presidente da República em caso de afastamento de Dilma Rousseff, corre o risco até de ser obrigado a deixar cautelarmente a presidência da Câmara, em medida que pode ser adotada pelo procurador-geral Rodrigo Janot, por ameaça a testemunhas. Cunha sabe disso.

Dos males, o menor: o Congresso entrou em recesso neste sábado. Por duas semanas, é hora de baixar a bola e pensar mais no país, embora seja difícil pedir isso a Eduardo Cunha e aos demais políticos, tanto do governo como da oposição, que agora só pensam em salvar a própria pele. A luta do poder pelo poder pode levar o país à ruína, apenas três décadas após a reconquista da democracia.

Quando agosto chegar, todas as crises continuarão do mesmo tamanho, mas urge que lideranças da sociedade civil se unam em torno de um projeto para a retomada do debate político em outros termos, mais civilizados, que permita a construção de um projeto nacional voltado para a retomada do crescimento econômico num clima menos belicoso.

Cuidado com o andor. Somos todos responsáveis pelo destino do nosso país. Como as nuvens negras e os meteoritos, os Cunhas passam.
E vida que segue."

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