Dilma, o ajuste de Levy e o tratado de Versalhes de Tsipras, o grego


Fernando Brito, Tijolaço 

Que estranha razão leva alguém a vencer uma batalha para, no instante seguinte, aceitar as regras do derrotado, ainda que muito poderoso após um pontual e limitado combate?

Aconteceu na Grécia, como aconteceu aqui, após a vitória de Dilma no segundo turno de 2014.

Claro que lá, e em muito maior escala que aqui, era necessário ceder muito, não há dúvidas.

Mas os vitoriosos se portaram como derrotados.

E aceitaram, como disse o ex-ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, um Tratado de Versalhes, como o imposto aos alemães ao final da 1a. Guerra Mundial, logo após dua vitória.

Lá, como cá, os governantes ficam no impasse descrito pelo ex-ministro: estar condenado se fazem e estão  condenados se não fazem.
O castigo aos pobres e o afundamento da atividade econômica foram ou serão imediatos, com o corte de benefícios – por vezes necessários – são rápidos, mas os sacrifícios ao capital ou não existem ou ficam para as calendas.

Hoje. o presidente do Senado avisou que mesmo a parte que “sobrou” do cancelamento dos benefícios fiscais da desoneração tributária só entrará em votação em agosto. Mais as intermináveis sessões de discussão e seu provável retorno à Câmara, com mais “exceções”  beneficiando setores empresariais, olhe lá se vai sobrar algo para aumentar as receitas lá para março ou abril de 2016.

E certamente um nada perto das despesas crescentes com os juros cada vez mais altos pagos ao mercado, estes sempre em rápida alta.
Porque lá, como cá, o capital está sempre pronto a exigir sacrifícios e disposto a dar nenhum, de sua parte.

Como lá, querem a destruição de um governo diferente, mesmo que este concorde, em parte, em agir como todos os outros.

O capital dominante não tem qualquer hesitação, sequer, em arruinar a atividade econômica se isso for necessário para arruinar o apoio público a quem represente o risco de mudança.

Não é raro que a esperança vença o medo, mas o medo sobrevive e passa a ser a força que nos impede de sair do círculo de giz no qual somos prisioneiros.
Não é toda hora em que um governante se expõe ao glorioso “vexame” de ir contra a maré, como Lula fez em 2008."

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