A guerra dos urubus, agora na Folha


Fernando Brito, Tijolaço

"Ontem, escrevi aqui sobre algo que está se tornando tão evidente que até consegue sair nos jornais, neste paradoxo em que vivemos no qual a verdade raramente está ali: a guerra de urubus que se formou na oposição, para saber quem lidera a posse dos despojos do governo que, pequeno detalhe, foi eleito pela população.

Como este governo permanece inerte e dispensa qualquer esforço para que prossiga seu processo de extermínio, a oposição passa a dedicar seu esforços pela disputadas de “como e quando” apossar-se do poder e quem terá nisso o papel hegemônico.

Hoje, no Painel, a Folha separa as posições da tucanagem.

Comete a omissão, entretanto, do papel decisivo do homem que tem, hoje, o controle avassalador do parlamento, Eduardo Cunha.

A sabedoria popular tem duas versões da mesma fábula sobre situações assim.

Na primeira, dois homens vêem  um burro andando solto no deserto e resolvem se apossar dele, mas entram em briga para ver com qual deles o bicho ficará. E, enquanto disputam, um terceiro ladrão vem e leva o burro. A moral, em latim, era Duobus litigantibus, tertius gaudet. 

Na outra versão, mais abrasileirada, o burro foge.

Porque até um burro  não ficaria parado esperando quieto ser encabrestado, não é?

PMDB e oposição discutem duas
vias para deflagrar queda de Dilma

O que quer cada um A convenção do PSDB evidenciou que, apesar de comungarem da avaliação de que a permanência de Dilma Rousseff caminha para se tornar insustentável, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra divergem sobre o caminho que o partido deve seguir. Enquanto o senador mineiro e seu grupo defendem que a melhor alternativa seria a cassação da presidente e de seu vice, Michel Temer, pela Justiça Eleitoral, os paulistas preferem a saída em que o peemedebista assuma o Planalto.

Cautela Apesar do tom duríssimo adotado por Alckmin em seu discurso, o governador considera, segundo aliados, que a hipótese de cassação da presidente pelo TSE cheira a golpismo.

Caminhos Além disso, uma nova eleição, na qual Aécio largaria na frente pelo recall de 2014, não agrada ao governador, virtual pré-candidato da sigla em 2018.

Sou eu 1 O tom da fala de Alckmin, com críticas “estruturais” ao PT, foi traduzido por aliados como um movimento para se posicionar como ator nacional, com uma visão além de São Paulo.

Sou eu 2 O discurso de Serra em defesa do parlamentarismo foi lido por tucanos como um sinal de que o senador já acredita em um governo Temer e pensa em ser um ministro forte da nova coalizão."

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