Singer: desafio do PT é se tornar independente de empresas


"Como fica um partido fundado para expressar os interesses da classe trabalhadora em um sistema dominado por empresas?", questiona o cientista político André Singer, no artigo em que analisa o nó atual do PT, que envolve outras contradições; "O PT foi pego de surpresa pela dissonância entre o discurso de Dilma até 26 de outubro passado e as ações efetivas adotadas a partir do dia 27. Ao impacto das tesouradas, somou-se o desenrolar do grave escândalo de corrupção na Petrobras, o qual envolve diversos partidos, mas tem o PT no centro"

Brasil 247

No artigo O nó do PT, em que analisa os novos desafios do Partido dos Trabalhadores, o cientista político André Singer, que foi porta-voz de Lula, faz reflexões interessantes sobre o momento atual da legenda que governo o País desde 2003.

"O PT foi pego de surpresa pela dissonância entre o discurso de Dilma até 26 de outubro passado e as ações efetivas adotadas a partir do dia 27. Ao impacto das tesouradas, somou-se o desenrolar do grave escândalo de corrupção na Petrobras, o qual envolve diversos partidos, mas tem o PT no centro", diz ele. "Sem que a ferida do mensalão tivesse tempo sequer de começar a cicatrizar, aparece outro caso que abala a moral do antigo 'partido da ética'".

Em meio as turbulências, o PT também se viu diante do fator Eduardo Cunha. "Para completar, assumiu a presidência da Câmara dos Deputados um político conservador, frio e disposto a tudo para criar dificuldade aos petistas. A aprovação, de modo duvidoso após uma primeira derrota, do projeto que constitucionaliza a doação de empresas a partidos, oficializa o controle do poder econômico sobre as siglas. Como fica um partido fundado para expressar os interesses da classe trabalhadora em um sistema dominado por empresas?"

Uma das saídas é buscar independência em relação ao poder empresarial. "Será bom para a esquerda brasileira, e para a República, se os delegados reunidos na Bahia encontrarem caminhos para requalificar a relação com o governo, para tornar a máquina partidária independente das empresas e da corrupção e para enfrentar a onda conservadora que assola o seu principal aliado (PMDB)".

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