Santayanna: o mundo mudou e os “chinófobos” não vêem


Fernando Brito, Tijolaço 

"Mauro Santayanna, hoje, no Jornal do Brasil, aborda a criação do Banco dos Brics com um didatismo digno de fazer coxinha entender, mostrando como a “chinofobia” que praticam, se adotada pelo Brasil,  os deixariam mal.

“Parte da nossa opinião pública, justamente a que se considera, irônica e teoricamente, a mais bem informada, se empenha em combater a ferro e fogo esse novo mundo, baseada em um anticomunismo tão inconsistente quanto ultrapassado, que ressurge como o exalar podre de uma múmia, ressuscitando, como nos filmes pós-apocalípticos, milhares de ridículos zumbis ideológicos.

Os mesmos hitlernautas que alertam para os perigos do comunismo chinês em seus  comentários na internet e acham um absurdo que Pequim, do alto de 4 trilhões de dólares em reservas internacionais, empreste dinheiro à Petrobras, ou para infraestrutura, ao governo brasileiro, usam tablets, celulares, computadores, televisores de tela plana, automóveis, produzidos por marcas chinesas, ou que possuem peças “Made in China”, fabricadas por empresas estatais chinesas ou com capital público chinês do Industrial &Commercial Bank of China, ICBC, o maior banco do mundo.

Filhos de fazendeiros que produzem soja, frango, carne de boi, de porco, destilam ódio contra a política externa brasileira, assim como funcionários de grandes empresas de mineração, quando não teriam para onde vender seus produtos, se não fosse a demanda russa e, em muitos casos, a chinesa.”

Coloco aí em cima os dados do Produto Interno Bruto (em “paridade de poder de compra”, que equaliza as moedas por seu valor no consumo ) para ajudar um pouco mais sanear a burrice de quem não entende que estamos negociando parcerias com um país já tão importante economicamente quanto os EUA.

E em condições muito mais vantajosas para o Brasil porque somos estratégicos para eles, não um rebotalho como nos trataram historicamente os EUA.

Tanto que, ainda hoje, Jason Furman, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca e homem-chave do presidente Barack Obama , diz na Folha que o “Brasil não deve contar com os EUA para crescer” e repete cansativamente a necessidade de “reformas internas”.

Podemos até precisar, mas isso não é da conta do Sr. Furman, como não são da nossa conta as reformas que os EUA, perdendo espaço na economia mundial, precisam fazer.

Vocês já viram algum chinês dando palpite assim ou dizendo que não devemos contar com eles para crescer?

Quem é que se mete na soberania dos outros?"

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