Aprovação de Fachin é a prova de que, com coragem, as idéias coerentes podem vencer


Fernando Brito, Tijolaço 

"O dia de hoje marcou, talvez, a primeira vitória política das ideias progressistas este ano no Brasil, com a folgada (nas atuais condições de histeria) eleição de Luiz Edson Fachin para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Claro que houve circunstância favorável de Fachin ter sido uma unanimidade (ou quase) entre os políticos paranaenses e o apoio que recebeu de Alvaro Dias deixou manca a insanidade da oposição no nascedouro.

Manca, mas ainda que coxeando, capaz de todo tipo de sordidez, desde questionar a honradez profissional até o delírio de apontá-lo como defensor da poligamia e, na brutalidade demente de Reinaldo Azevedo, quase que como um fauno jurídico.

E, claro, o ódio espumante contra o MST, transformando aqueles brasileiros numa espécie de leprosos sociais, com os quais conviver ou dialogar, porque isso condena quem o fizer a uma quarentena sanitária eterna, a uma discriminação que, por si, anula toda a capacidade técnico-jurídica e a inteireza mental que posa ter.

Mas essas anormalidades, paradoxalmente, são hoje normais.

O que foi extraordinário – e didático – é que o Governo enfrentou a onda conservadora e chantagista que usou a eventual rejeição de Fachin como arma política contra a Presidenta que se elegeu para – parece que lá se esqueceram disso – justamente para conduzir o Brasil e suas instituições no caminho progressista e dos direitos humanos para todos, independente de sua condição social ou circunstâncias de vida.

Fácil e sem problemas?

Não, as 11 horas, quase, de interrogatório em que se transformou a tradicionalmente quase pró-forma sabatina de Fachin, mostraram como é possível defender ideias coerentes.

Claro que com uma concessão aqui, outra ali, com habilidade quase todo o tempo, mas sem apear-se da dignidade e da coerência de uma vida.

Da mesma forma – e de maneira inédita no país dos conchavos e cochichos – Fachin não teve vacilações em atuar politicamente nas redes sociais e mobilizar a opinião pública.

Sem qualquer demérito, ao contrário, à capacidade de jurista de Luiz Edson Fachin, a vitória de hoje não é sua, apenas ou essencialmente.
É a da legitimidade das ideias e da coragem na política, exercida com serenidade, mas coerência.

E é uma lição de que a melhor forma de defender-se não é se esconder, mas se expor.

Como ocorreu com Fachin, as ideias e a trajetória não são acusações, são argumentos.

Argumentos aos quais a direita hidrófoba não tem como responder.
PS. Sem política, como foi a indicação de um diplomata de carreira para a OEA, o conchavo impera e e acontecem estes absurdos que vimos."

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