A CPI sobe o Alemão


Tereza Cruvinel, Blog: Tereza Cruvinel

"Na segunda-feira os integrantes da CPI sobre a  Violência contra Jovens Pobres e Negros visitou o Complexo do Alemão, uma das favelas  mais conflagradas do momento no Rio de Janeiro.  Os deputados estaduais da Comissão de Direitos  Humanos da Alerj somaram-se à caravana. De tudo o que  viram  na comunidade, o mais espantoso,  diz o presidente da CPI, deputado Reginaldo Lopes  (PT-MG), foi o funcionamento de uma Unidade de    Policia Pacificadora (UPP) bem defronte a uma escola pública.

– As crianças e jovens que estudam lá tornaram-se alvos claros da violência e disso falam os buracos de bala que vimos nas paredes da escola. Resultado, de 1200 alunos, agora restam 600. Os outros ou estão sem estudar ou os pais buscaram uma escola distante – conta Reginaldo.

Ontem a CPI encaminhou um oficio ao governador Pezão e ao secretário de segurança Mariano Beltrame pedindo que a UPP fique no morro, mas em outro lugar. Não junto da escola, para em breve termos mais uma vitima como o menino Eduardo, morto por uma bala perdida que saiu da arma de um policial.

No mais, viram de perto a tragédia das famílias que vivem no fogo cruzado da guerra contra o tráfico e ouviram seus relatos. De susto, de bala ou vicio, perdem seus filhos na flor da idade. No Brasil,  cerca de 30 mil jovens, entre  15 e 24 anos, são assassinados todo ano, e 77% deles são negros e pobres.

O Mapa da Violência de 2014, da Unesco. mostra que há uma queda de 32,3% no número de homicídios de jovens brancos, enquanto o percentual de homicídios de jovens negros cresceu na mesma proporção, com um aumento de 32,4%.

- Há um genocídio silencioso de jovens negros e pobres no Brasil e a CPI quer levantar o véu da hipocrisia ou da desinformação sobre o assunto – diz Reginaldo."

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