O que Dilma fará com a terceirização?


Tereza Cruvinel, Blog: Tereza Cruvinel

"Se a votação dos destaques do projeto de terceirização de mão de obra tivesse continuado ontem, seus defensores teriam sofrido uma severa derrota e o projeto sairia bem mutilado. Entre a votação do texto básico na semana passada e a noite desta terça-feira os deputados sentiram, nas bases e nas redes sociais,  o tamanho da reação à proposta que permite a terceirização ampla, geral e irrestrita.  Muitos recuaram. E vimos PSDB e PT votando juntos para aprovar a emenda tucana que proíbe terceirização nas empresas estatais.

Este projeto pode ser um divisor de águas. Nesta primeira fase, ele produziu alguns efeitos políticos dignos de nota, especialmente para o PT, que votou contra o texto básico juntamente com o PC do B e o PSOL.   “Há tempos a bancada do PT não votava totalmente unida como neste caso. A terceirização também fortaleceu nossos laços com os sindicatos e movimentos sociais”, diz o deputado petista Paulo Pimenta.

Um vídeo produzido pela assessoria da bancada mostrando os efeitos da terceirização sobre a qualidade das relações trabalhistas teve mais de cinco milhões de acessos no site do partido.  Dilma também marcaria pontos com sua arredia base social se declarasse logo a intenção de vetar o projeto.  Se o sancionar, mesmo numa versão atenuada pelos destaques e pela votação no Senado, estará chancelando algo que desagradou profundamente os que vivem do trabalho. E ninguém se lembrará, no futuro, que a iniciativa foi do Congresso e não do governo.

Mas na entrevista aos blogueiros ela foi evasiva. Lembrou apenas que os sindicatos estão divididos. CUT é contra, Força Sindical é a favor. Aliás, foi o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, que vendo a vaca ir para o brejo propôs o adiamento da votação dos demais destaques. Dilma poderia ter sido mais enfática, dizendo taxativamente que é contra, assim como já fez em relação á PEC que reduz a maioridade penal.

Se vetar, e o Congresso derrotá-la derrubando o veto, estará livre de qualquer compromisso com uma proposta socialmente retrógrada."

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