Mídia familiar fecha pacto pela farra empresarial


"Em uníssono, Globo, Folha e Estado de S. Paulo gritam contra a decisão do Congresso, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, de elevar os recursos do fundo partidário; Globo segue hoje a linha aberta pela Folha ontem e aponta expansão de 490% das verbas; Estado, em editorial, fala em "afronta aos brasileiros"; a questão, no entanto, é outra: no momento em que doações oficiais de empresas são criminalizadas pela Lava Jato e que, portanto, todas as companhias minimamente sérias se recusarão a realizar doações, quem irá financiar a política e a própria democracia?; a depender do que pregam os jornais, o dinheiro virá do caixa dois e do submundo do crime

Brasil 247

As três famílias que respondem pelo jornalismo impresso no Brasil, os Frias, os Mesquita e os Marinho, selaram um pacto em favor da continuidade da farra empresarial na política, que é a raiz de todos os escândalos recentes de corrupção.

Exemplo disso é a gritaria em torno dos recursos para o fundo partidário, que foram aprovados pelo Congresso Nacional e sancionados pela presidente Dilma Rousseff, no Orçamento-Geral da União.

Neste ano, os recursos do fundo serão de R$ 867,5 milhões, que cresceram significativamente em relação aos R$ 308,2 milhões do ano passado.

A elevação tem uma explicação direta: Lava Jato. Como a operação conduzida pelo juiz Sergio Moro criminalizou as doações oficiais de campanha, colocando na cadeia alguns dos principais doadores do País e também o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto, cujo crime foi receber doações legais, aprovadas pela Justiça Eleitoral, o sistema de financiamento privado à política brasileira foi implodido em Curitiba.

Algumas empresas atingidas pela Lava Jato estão à beira da falência e entraram com pedidos de recuperação judicial. As que sobreviveram estão colocando em seus estatutos proibições expressas a qualquer tipo de doação. E já fizeram chegar aos partidos a informação de que não doarão nenhum centavo nas próximas eleições.

Isso significa, na prática, que a maneira de financiar a política e, portanto, a própria democracia no Brasil será o fundo partidário. Não porque o Congresso tenha feito uma reforma política nessa direção. Mas porque qualquer empresa, minimamente prudente, ficará distante da política.

O financiamento público, no entanto, não agrada às famílias midiáticas. Em seu editorial, o Estado trata o aumento dos recursos como "aberração" e defende que os partidos vivam apenas das contribuições dos seus militantes. Globo e Folha também estão na mesma campanha que pode ter, como corolário, a produção de mais e mais escândalos de corrupção."

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