Defender as conquistas, por freios em Cunha. Este é o desafio


Fernando Brito, Tijolaço 

"A se confirmar, seja hoje, como diz o Estadão, ou nos próximos dias, o encontro entre Lula e Michel Temer mostra que o jogo da política volta a ser disputado com maturidade.

As votações que Eduardo Cunha tem promovido, porque tem nas mãos o comando inquestionado sobre o PMDB, o apoio do PSDB-DEM e a natureza conservadora de muitos deputados situados na base do Governo, tornaram-se não apenas um obstáculo à governabilidade mas, sobretudo, aos direitos dos trabalhadores e aos próprios direitos humanos.

O mais importante neste momento não é tentar avançar, porque não existem as mínimas condições de fazê-lo, no quadro de forças atual.


O que, digo outra vez, não quer dizer que não se fale, debata, propague. Muito menos que não se resista.

Mas, se não ficou claro até a votação da absurda terceirização, agora não dá mais para ver que o total controle conservador que o “cunhismo” impôs sobre a Câmara é o que deve ser combatido.

E isso não se fará, simplesmente, pela formação de uma “aliança de esquerda” que tem, no “talo” e assim mesmo se a sorte ajudar, número para evitar emendas constitucionais e, assim mesmo, olhe lá.

Não existe nada de mais urgente senão recuperar uma parcela do PMDB e do “baixo clero” parlamentar para a base do Governo, na Câmara e “segurar” tanto quanto possível o Senado, como instância revisora do que se aprova por lá.
Não é à toa que Eduardo Cunha se mostra tão incomodado com a designação de Temer como articulador político.

Cunha tem nas mãos uma arma terrível: a pauta da Câmara, o escolher em que se vota. Isto é o essencial para ele, nada mais.

O dogmatismo religioso de Cunha é tão profundo quanto pode ser o de alguém que registra, aos centos, domínios de internet do tipo shoppingjesus.com.br.

Vejam como ele cede, por exemplo, nas conversas com Joaquim Levy, em matéria econômica e em questões fiscais, saindo como o grande fiador de “concessões”. Ele seleciona em tudo aquilo que lhe é essencial: a demonstração de força e poder.

Lula conhece bem este processo de solapamento legislativo do governo eleito. É vivo na memória dos mais velhos o episódio em que Severino Cavalcanti elegeu-se Presidente da Câmara, aliás com algumas bandeiras bem semelhantes às de Cunha.

Tem  densidade e tem história para analisar, propor e ceder, sem entregar o essencial.

A política, numa hora como a que vivemos, de graves ameaças – tanto ao país, quanto à democracia mas, sobretudo, aos direitos de nosso povão – não é para ser tratada da “força cega”.

Até porque tem faltado força e sobrado cegueira."

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