Ciranda partidária em curso


"Outras fusões ocorrerão, além da do PSB com o PPS

Tereza Cruvinel, Blog: Tereza Cruvinel 

Com os 513 deputados distribuídos em 28 partidos, o funcionamento da Câmara tornou-se mais complicado do que nunca. Em busca de hegemonia e preparando-se para as mudanças que podem vir com a reforma política, o movimento de fusões está em curso. Ele pode ser benéfico, reduzindo o número de siglas com representação, mas pode também representar para o governo a necessidade de negociar com siglas mais fortes e mais exigentes.

A fusão PPS-PSB já foi aprovada e dará mais musculatura a uma sigla de oposição alternativa ao PSDB. O novo partido vai se chamar PSB e manterá o número 40. Na prática, uma incorporação da sigla de Roberto Freire pelo partido órfão de Eduardo Campos, que vem tendo dificuldades para se encontrar sem seu líder maior.

O movimento mais ousado, porém, ainda não começou. O DEM vai se fundir com o PTB. A nova sigla se chamará PTB e será presidida pela filha de Roberto Jefferson, deputada Cristiane Brasil, que preside os petebistas. O número será o 25, do atual DEM. Isso fortalecerá a sigla de oposição derivada do antigo PDS.

Mas, num segundo momento, haveria a fusão deste novo PTB com o PMDB, resultando num partido que teria 150 deputados. Esta sim seria a maior força partidária na Câmara desde a Constituinte, quando o PMDB, sozinho, elegeu 201 deputados. E se Dilma já enfrenta dificuldades com a sigla de Renan e Eduardo Cunha, mais trabalho teria para negociar com este “partidão”.

Em outra frente, prospera a fusão do PSD com o recriado PL, que pode fortalecer a sigla do ministro Gilberto Kassab. E o PROS também busca um casamento, agora que os irmãos Gomes estão praticamente excluídos do comando da sigla. E, por fim, Marina Silva segue batalhando pela Rede, que agregará deputados hoje no PV e no PSB. Miro Teixeira, do PROS, por exemplo, já trabalha para viabilizar a Rede e a ela se filiará.

Para que tudo isso aconteça, o Congresso terá que derrubar um veto parcial da presidente Dilma a um dispositivo legal que impede a filiação de deputados sem incorrer em punição por infidelidade a siglas decorrentes de fusões partidárias. Mas mesmo sem a derrubada do veto, os “criadores” de siglas acreditam que podem se basear em regulamentação do próprio TSE para prosseguir com a ciranda partidária."

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