Até aonde vai poder paralelo de Cunha e Gilmar?


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Foi uma semana de muito futebol na televisão, esta que passou. Como meu time, o São Paulo, já foi eliminado do Paulistinha, pude acompanhar neste domingo vários jogos sem ficar nervoso nem me irritar, só pelo prazer de ver o esporte mais popular do mundo.

Depois de assistir a algumas partidas da Liga dos Campeões da Europa durante a semana e os melhores momentos das finais dos campeonatos estaduais brasileiros, confesso que me deu vontade de chorar. É covardia. Parece até que o futebol daqui e o de lá são esportes diferentes. Lá, se joga sempre para a frente, em busca do gol; aqui, para os lados ou para trás.

Como já dizia o velho Parreira, gol no futebol brasileiro é detalhe _ um detalhe cada vez mais raro. Pelos resultados, dá para se ter uma ideia da pobreza das finais nos principais Estados. Em São Paulo, o Palmeiras ganhou do Santos por 1 a 0, mesmo placar da vitória do Vasco contra o Botafogo, no Rio. Em Minas, com Atlético e Caldense, e no Rio Grande do Sul, com o Gre-Nal de sempre, os jogos terminaram 0 a 0.


Mais do que resultados, estes números poderiam ser as notas do futebol mostrado pelas oito equipes. Nenhum jogador, nenhum técnico, nenhum time conseguiu se destacar. A mediocridade foi socializada.

E o que mais poderíamos esperar de um futebol que continua sendo comandado pelos Marins e Marco Polos da vida, legítimos herdeiros de Ricardo Teixeira, cartolas bons de negócios, particulares principalmente, mas que ficaram na poeira do campo esportivo?

O que nós vimos nos gramados nativos neste domingo é o retrato da decadência dos seus dirigentes, não muito diferentes dos personagens da cena política de Brasília. Mesmo assim, e apesar da lambança da seleção de Felipão na Copa do ano passado, temos cada vez mais crianças apaixonadas por seus times, que vibram nas vitórias e choram nas derrotas.

Será que ao tratarem do futebol apenas como um comércio _ muito mal administrado, por sinal _ nossos cartolas em nenhum momento são capazes de pensar no sofrimento que provocam nos nossos pequenos torcedores?
Já que não tem outro jeito, e para evitar comparações que só nos humilham e não deixam esperanças, bem que a CBF poderia pensar em proibir as emissoras de televisão de transmitirem jogos dos times europeus.

Aquele trágico 7 a 1 do jogo contra a Alemanha no Mineirão foi apenas o início do fim dos bons tempos em que Pelé e Garrincha, que nunca jogaram na Europa, faziam a alegria do nosso povo. Agora, temos que nos contentar em admirar o futebol dos outros.

E vamos que vamos."

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