A Abril passou o pires pelo BNDES num de seus anos mais lucrativos

Dinheiro público na Abril? Presente
Paulo Nogueira, DCM

O grau de ignorância dos blogueiros da Veja é desumano.

Eles não sabem sequer o que acontece na empresa para a qual trabalham, e se metem a fazer considerações sobre o universo.

Recentemente, eles têm falado no BNDES. O dinheiro do BNDES, segundo o Brad Pitt de Taquaritinga, é dos amigos do governo.

Se a frase é verdadeira, teremos que concluir que a Editora Abril é amiga do governo.

Algum tempo atrás, a Folha publicou uma listagem com os empréstimos feitos pelo BNDES.

Republicou, a rigor. A Folha admitiu que o BNDES já vinha publicando as operações. O que o jornal fez foi “organizá-las” para que o leitor pudesse compreender melhor.

A ordem escolhida foi a alfabética.

Você vai na letra “e” e encontra o quê?

Editora Abril.

Em 2008, ano em que a Abril teve um de seus melhores resultados, o BNDES liberou para a empresa dos Civitas 27,344 milhões de reais.

Dinheiro público na veia.

O objetivo da operação era o seguinte. “Implantar diversas soluções de TI para unificação da base de clientes da empresa”.

Quer dizer: mesmo tendo muito dinheiro em caixa depois de um ano glorioso, a Editora Abril passou o pires no BNDES. E levou.

Não que fosse novidade entre as empresas de jornalismo.

Para fazer seu elefante branco que é uma gráfica gigante, a Globo, ainda sob Roberto Marinho, pediu dinheiro público ao BNDES na era FHC.

Terminada a gráfica, FHC se prestou ao vergonhoso trabalho de se deixar fotografar com um Roberto Marinho triunfal.

Dinheiro público para erguer a gráfica da Globo

Por que a Globo não investiu na gráfica com seu dinheiro próprio? E a Abril, por que não modernizou sua TI com seus recursos?

Resposta: porque falam em capitalismo da boca para a fora. Na intimidade, jamais viveram sem os favores públicos.

Em 2008, o empréstimo de 27,344 milhões de reais não foi o único ingresso de dinheiro do BNDES na Abril.

A Abril recebeu uma copiosa quantidade de propaganda do banco naquele ano.
Muitas vezes as empresas de jornalismo pagavam os empréstimos que recebiam de bancos oficiais com anúncios.

O caso Projac, o estúdio nababesco da Globo, é um clássico. O dinheiro para erguê-lo veio do Banerj, o extinto banco público do Rio. E o pagamento se deu em anúncios.

Nenhuma empresas jornalística brasileira existiria sem privilégios e mamatas com dinheiro público.

Fato.

E ou por ignorância ou por má fé, ou por uma combinação de ambas, colunistas pagos para defender os interesses vis dos patrões posam de virgens.

Mas é aquela espécie de imaculada que você encontra num lugar chamado lupanar."

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