"Maior cidade do país pode amanhecer na quinta-feira 5 com greve no metrô; nesta noite, marcha em curso de sem teto na avenida Radial Leste, uma manifestação de policiais militares em frente ao estádio do Itaquerão e um conflito entre favelados do Parque Novo Mundo e policiais militares tensionam a populosa Zona Leste da cidade; cinegrafista da Rede Bandeirantes agredido por policial militar aumentou carga dramática da situação, a oito dias da abertura da Copa do Mundo; metroviários querem 35% de reajuste, mas companhia do metrô oferece 7%; policial agressor de profissional foi preso
Brasil 247
Uma agressão sem dúvida covarde de um policial militar sobre um cinegrafista da Rede Bandeirantes criou uma crise de imagem para o governador Geraldo Alckmin. Ao vivo, em rede nacional no programa Cidade
- Qual é a violência que esse cinegrafista cometeu para tomar um soco na cara, uma cassetada e ser agredido de forma covarde e canalha como aconteceu?, perguntou o âncora José Luiz Datena, que ao longo da tarde, antes da agressão, já desafiava o governador Geraldo Alckmin a dar ele uma entrevista ao vivo imediatamente. A imagem de um link aberto no Palácio dos Bandeirantes mostrava escadarias vazias enquanto Datena dizia que Alckmin não tinha coragem para descer e falar com ele sobre a iminente greve dos funcionários do metrô. A categoria tem assembleia às 18h00 para decidir por uma paralisação a partir da meia-noite. Àquela altura do desafio, porém, Alckmin, de acordo com a assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes, ainda não voltara de uma viagem ao litoral norte do Estado.
"Isso é coisa do Datena", resumiu uma fonte. "Mas pode ser que o governador fale com ele".
A situação, entretanto, esquentou. Na cobertura de um conflito entre moradores do Parque Novo Mundo e policiais militares, uma equipe da Rede Bandeirantes teve o cinegrafista Hércules, que estava uniformizado, agredido com um soco de um policial militar da Rocam. O agressor estava de capacete e revólver na cintura. Saiu de uma distância de cinco passos para, sem qualquer aviso, desferir um soco de mão esquerda no rosto do profissional:
- Me dá seu documento, eu tô te abordando, disse o PM, na imagem repetida no ar por menos 40 vezes até agora (18h27) pela Band. Na sequência do áudio, o cinegrafista entrega o documento ao policial.
Um coronel da Polícia Militar telefonou para a Bandeirantes e Datena teve a informação, mas se recusou a abrir a palavra ao porta-voz.
- Se esse policial não for preso, ou é porque esse governador não manda nada, e o secretário não tem a polícia em suas mãos, é o desgoverno. Me espante nem o governador nem o secretário se ausentarem, sumirem, desaparecerem.
Às 18h31, o secretárioi de Segurança Fernando Grela ligou para a Bandeirantes e falou com Datena. Estava em Brasília.
- O policial já está preso na corregedoria. O cinegrafista tem as nossas desculpas. Não compactuamos com isso, afirmou Grela.
Após a entrevista, Datena encerrou o bloco lembrando que o caso não representava a polícia militar de São Paulo.
Passada essa tensão, a próxima é em torno da iminência de uma greve de metroviários, a partir da meia-noite. A categoria se reuniria em assembleia a partir das 18h00. Os sindicalistas defendiam a abertura de catracas para atenuar os problemas que certamente milhões de passageiros poderão enfrentar."

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