Internet: aproximando quem está longe, distanciando quem está perto


Eberth Vêncio, Revista Bula

“Antes que alguém me incomode com as suas críticas comezinhas, adianto que a pérola que dá título a esta crônica não é da minha autoria (os fominhas da internet já a conhecem muito bem). Por sinal, eu a li num e-mail enviado por um amigo próximo que, ironicamente, se encontra deveras longe: o sujeito é pesquisador e caminha pelo trajeto de Santiago de Compostela, municiado com o peculiar espírito da pesquisa e da descrença na raça humana, imbuído em descobrir um ou mais sentidos que tornem o viver mais palatável. Ele já teve muito dinheiro, muita solidão, muito desamor e um câncer de sinuca de bico (aparentemente, sem saída). Que eu saiba, até o momento, moeu dois pares de tênis pelos caminhos tortuosos e pedregosos das suas dúvidas existenciais.

Em termos de convivência social, talvez estejamos capengando pelo período mais chato da História da Humanidade. Um ermitão do século 18 conversando com um alce velho numa montanha gelada talvez fosse um exemplo de comunicação mais promissor entre dois seres vivos, do que o que temos hoje. O monturo de informações e desinformações a invadir as telas dos computadores e dos smartphones é tão avassalador quanto frívolo. Mais espertos que os telefones são os índios comancheiros que abandonaram os sinais de fumaça e hoje se comunicam com a utilização apenas das bocas e das gotículas de cuspe.

Em tempos de tempestades de blogs, em que cada um se julga a cereja do bolo da internet, no que tange à notoriedade sobra irrelevância. Em matéria de engajamento neste efeito manada digital, sinto-me meio leproso, embora dê as minhas cutucadas no teclado. Os meus pares simplesmente não concebem como é que até hoje eu não tenha aderido ao feice ou a outra pujante rede social da internet.”
Artigo Completo, ::AQUI::

Nenhum comentário: