Penas tucanas voam para todos ao lados

Em encontro com os 176 prefeitos eleitos pelo partido em São Paulo, chefes do PSDB mostram que falta unidade até na avaliação sobre a crise no partido; "Temos de voltar às ruas", disse FHC; "Tem prefeito muito acomodado", reclamou governador Alckmin; "o Ministério Público nos persegue", afirmou Barros Munhoz; e o presidente Pedro Tobias bateu no prefeito: "Um aliado como Kassab, não precisamos mais"; Serra chegou atrasado e avisou que viajará para a Europa


Voou pena para todos os lados. Em encontro na quarta-feira 28, em São Paulo, os tucanos do PSDB paulista mostraram que unidade de pensamento sobre o momento pelo qual passa o partido não existe. Cada um dos líderes mais conhecidos da legenda tem sua própria avaliação sobre a crise partidária, consumada pela derrota do candidato a prefeito da capital José Serra e pelo declínio na popularidade do governador Geraldo Alckmin.

Um dos discursos mais enfáticos foi o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que deu um verdadeiro puxão de orelhas na militância do partido. "Precisamos voltar às ruas", disse ele. "Nossos militantes estão apáticos". Ele virou suas baterias, em seguida, sobre o PT e  ex-presidente Lula, mas os tucanos estavam mesmo interessados em lavar a própria roupa suja.

O encontro com os 176 prefeitos eleitos pelo partido no Estado exaltou até mesmo o comedido governador Alckmin. Ele chegou até mesmo a falar palavrões. Adiantando que iria falar algumas "verdades" para os novatos do partido, Alckimin disse que "política é que nem mosca no mel: atrai tudo quanto é picareta, safado querendo vender coisa para o governo. E foi mais longe, referindo-se a uma notícia que assistiu na TV de um prefeito de uma cidade onde havia caído uma ponte e que dizia que iria pedir auxílio ao governador: "E eu pensando, porra, não é possível. É prefeito e não arruma uma ponte?! É muita acomodação".

O normalmente esquentadinho Barros de Munhoz, presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, cujo pelido é Berros Munhoz, chegou a ser engraçado: "Depois de 20 anos no poder, até a gente enjoa da gente. O poder desgasta a essência do partido". Se ele está dizendo isso agora, o que dirão os eleitores nas urnas em 2014?
E acrescentou, por mais espantoso que possa parecer, que o grande inimigo do partido é o Ministério Público: "Eles fazem perseguição política e não há quem os puna."

Pedro Tobias, presidente estadual do partido, preferiu bater no prefeito Gilberto Kassab: "Aliado como esse nós não queremos mais".
O ex-governador José Serra, que costuma se atrasar a todo e qualquer compromisso, não estava lá para defender o ex-aliado: chegou atrasado, depois do encerramento do evento. Avisou aos mais próximos que irá para a Europa nos próximos dias. A respeito de seu futuro político, mostrou que mal sabe o que vai acontecer. "Ainda não estou a fim de falar".

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