Assange e o sutiã de Gisele


Paulo Moreira Leite, ÉPOCA / Vamos Combinar

“Há dois anos, assistimos a um debate intenso sobre liberdade de imprensa no Brasil. Depois que a Secretaria das Mulheres decidiu questionar no Conar uma publicidade de lingerie de Gisele Bunchen, os principais jornais e revistas se empenharam na denúncia de que a liberdade de imprensa encontrava-se sob risco. De meu ponto de vista, era um argumento risível.

O Conar, que regula a publicidade no país, está cansado de vetar integralmente dezenas de anúncios por ano. Outras campanhas precisam ser modificadas por determinação do órgão. Isso porque não é razoável confundir liberdade comercial como liberdade de expressão. Os próprios publicitários reconhecem que há diferenças.

Vamos combinar, porém, que é possível debater o assunto.

Mas não vejo como se possa ter duas opiniões sobre as ameaças contra Julian Assange, o presidente do Wikileaks.

Assange não quer vender sutiãs nem calcinhas nem cintas-liga. Nada contra essas mercadorias. Também reconheço que Gisele Bunchen parece feita sob medida para exibí-las.

Mas Assange permitiu a divulgação  das maiores descobertas  sobre o governo americano desde os papéis do Pentágono, que revelaram hesitações e dúvidas do governo americano durante a guerra do Vietnã (encerrada ainda nos anos 1970,  meus garotos…)

Com esse trabalho, tornou-se uma fonte. Mais do que um repórter, é uma das origens de notícias relevantes sobre o mundo contemporâneo.

As pressões sobre Assange constituem um caso inédito, na verdade. Não se tenta ameaçar um jornalista, mas silenciar a própria fonte. Acho que nunca pensei que fossemos ver isso.”
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