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Um retrato de
Assange é visto na
frente da
embaixada equatoriana em
Londres.
Manifestantes se juntaram no
local para apoiar
o fundador do WikiLeaks.
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Vladimir Safatle, CartaCapital
“O governo do Equador deu asilo ao fundador
do WikiLeaks, Julian Assange. O Reino Unido, com seu conhecido respeito
seletivo pela legislação internacional, desenterrou uma lei bisonha para
afirmar que poderia invadir a embaixada do país latino-americano, a fim de
capturar seu inimigo público. Até onde consigo lembrar, esta será a primeira
vez que uma embaixada é invadida pela polícia do país no qual ela está situada.
Nem mesmo em ditaduras algo parecido ocorreu.
Há de se perguntar se todo esse zelo do
Reino Unido pelo cumprimento de um pedido de extradição feito pela Suécia vem
realmente do amor à lei. Ou será que devemos dizer que Assange é o protótipo
claro de um perseguido político pela democracia liberal?
Alguns tendem a defender a posição dos
governos britânico e sueco com o argumento de que, enfim, ninguém está acima da
lei.
Independentemente do que Assange
represente, isso não lhe daria direito de “estuprar” duas garotas. É verdade
que a definição de estupro pela legislação sueca é mais flexível do que a
habitual. Ela engloba imagens como: um homem e uma mulher que estão na cama de
comum acordo, sem nenhum tipo de coerção, mas que, em um dado momento, veem a
situação modificada pelo fato de a garota dizer “não” e mesmo assim ser, de
alguma forma, forçada.
Vale a
pena lembrar que tal definição é juridicamente
tão complicada que, quando a acusação contra Assange foi apresentada pela
primeira vez à Justiça sueca, ela foi recusada por uma magistrada que entendeu
ser muito difícil provar a veracidade da descrição. A acusação só foi aceita
quando reapresentada uma segunda vez, não por acaso logo depois de o WikiLeaks
começar a divulgar telegramas comprometedores da diplomacia internacional.”
Foto: Will Oliver / AFP
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