O espetáculo olímpico


Se nosso futebol alcançar o ouro, a quebra de tabu não será narrada pelo locutor oficial da Globo. A exclusividade da Record torna a Olimpíada mais discreta, e não é de todo ruim

Lalo Leal, Revista do Brasil

Será a primeira vez na história recente da televisão brasileira em que conquistas esportivas internacionais não serão transmitidas pela Globo. Os Jogos Olímpicos de Londres terão cobertura exclusiva da Record na TV aberta, a um custo aproximado de US$ 60 milhões – dos quais US$ 22 milhões já foram recuperados com a venda para a Globosat dos direitos de transmissão para a TV paga.

Neste ano a euforia com que a Globo cerca eventos desse tipo desapareceu. Em cada Olimpíada (ou Copa do Mundo) éramos bombardeados por informações quase sempre sem nenhuma importância transmitidas em qualquer programa da emissora. Nos telejornais e nos auditórios era um desfilar permanente de atletas, dirigentes, torcedores, sem faltar familiares de esportistas comemorando vitórias ou chorando derrotas.

Às vésperas da abertura dos jogos britânicos parece que eles nem existem para a emissora. Nos jogos da seleção brasileira de futebol, preparatórios para a Olimpíada, esse fato não era mencionado. Ficava sendo apenas uma seleção de jovens treinando para um futuro remoto.

Dos títulos importantes conquistados pelo futebol brasileiro no mundo só o de campeões olímpicos ainda não foi alcançado. A seleção de Mano Menezes pode quebrar esse tabu, que, se acontecer, não terá a narrá-lo o locutor oficial da Globo. Outro fato inédito.
A exclusividade da Record torna os Jogos Olímpicos deste ano mais discretos no Brasil, o que não é de todo ruim. O idealismo do barão Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos da era moderna, para quem o importante era competir, desapareceu há muito tempo. Hoje o importante é faturar.”
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