Givanildo Manoel, Correio
da Cidadania
Há muitos anos que diversos grupos – como o Tribunal Popular, Comitê contra o genocídio da Juventude Negra, Rede contra Violência, Mães de Maio, Coletivo Merlino, entre outros – têm denunciado a violência do Estado contra a população pobre, em especial contra a juventude negra. Diversos foram os casos que tentaram levantar uma discussão séria e profunda sobre o modelo de segurança adotado em São Paulo e no Brasil.
Um caso emblemático e ao mesmo tempo típico é a do motoboy Eduardo Pinheiro dos Santos, assassinado na frente da mãe em abril de 2010. Os policiais o contiveram como suspeito, o julgaram como culpado e ali, sob os olhares desesperados da mãe, aplicaram-lhe a sentença de morte. Ele era negro, pobre e, portanto, suspeito e culpado – segundo a atual visão de segurança pública.
O problema é que não nos colocamos a pensar que política é essa, até porque por muitos anos essa ideologia entra cotidianamente em nossas vidas através dos programas sensacionalistas do mundo cão, como o Aqui e Agora, Programa do Ratinho, Datena e outros, ou das notícias que não passam de boletins de ocorrência escritos com outras palavras. Fomos sendo hipnotizados por uma falsa idéia de que era necessária uma política de segurança, que, para ser mais eficiente, poderia violar todos os nossos direitos, transferindo para o braço armado do Estado todos os desígnios das nossas vidas. A cada tiro no cidadão, um tiro em nossa já muito baleada Constituição.
O atual governador do estado de São Paulo,
Geraldo Alckmin, quando assumiu seu primeiro mandato em 2001 reafirmou a
mentalidade intervencionista, repressiva e autoritária baseada na doutrina de
segurança pública dos Estados Unidos de guerra preventiva e permanente contra o
terror. A política de “tolerância zero” é de guerra contra o inimigo interno,
já que não estamos em guerra com outro país. Pra quem acha um exagero, já que
se nomeia o atual regime que vivemos de democracia, até as estatísticas oficiais
apontam que o inimigo interno é a população pobre e negra.
Evidentemente, essa política que teve suas
bases constituídas no período da ditadura militar esmagou qualquer outro tipo
de perspectiva de segurança pública a partir da amnésia e impunidade dos crimes
cometidos naquela ainda recente época. Mas também pela naturalização de
massacres e chacinas, como o do Carandiru, como um dos símbolos da transição
desta política ditatorial para os tempos de democracia burguesa.”
Artigo Completo, ::AQUI::

Comentários