Eberth Vêncio, Revista Bula
“Existe uma clássica piada na qual um padre
(ou pastor), durante uma pregação, pergunta aos presentes: "— Quem
quer ir para o Céu?". Sem pestanejar, todos da manada levantam as mãos
trêmulas para o alto, aprovando a ideia. "— E quem quer ir hoje?",
insiste o líder. É claro: a massa dobra os cotovelos. Todo o mundo deseja ir
para o Céu, mas ninguém quer morrer. Risível? Eu achei.
Mas nem sempre a lógica e a clareza parecem
tão explícitas. Há vários anos um guru tresloucado chamado Jim Jones induziu
centenas de seguidores a um suicídio coletivo (918 pessoas, de mamando a
caducando), num dos episódios de fanatismo religioso mais estúpido que se tem
notícia desde que Caim matou Abel a porretadas. Portanto, cuidado com líderes
religiosos exaltados.
Mas este texto não foi escrito para
enaltecer o Céu, e sim, lucubrar a respeito dos infernos nossos de cada dia. Falemos,
então, desde ambiente enigmático e eternamente repelido pelo ser humano, até
pelos crápulas mais desprezíveis.
O que mais se encontram na internet são
listas. Infindáveis listas de preferência. Os 10 mais. Os 30 menos. Os 50
piores. Os 69 mais picantes. Os 100 indispensáveis. Os 1000 essenciais. E por
aí vai.
Entrando nesta seara das listas com
ranqueamentos descartáveis, fazendo alusão ao roqueiro Raul Seixas, "eu
também vou ranquear". Conclamo os valorosos leitores a um exercício, uma
dinâmica em grupo engendrada individualmente (?), nalgum lugar do ciberespaço,
cada qual no seu quadrado.
Imaginem-se sentados numa confortável
poltrona de veludo, como se fossem um deus, um juiz, uma espécie de carrasco
experimentado. A sua frente, uma enorme redoma de vidro por meio da qual vocês
enxergam perfeitamente quem (ou o que) está dentro dela, embora a recíproca não
seja verdadeira. Ou seja, há uma completa privacidade que os fazem se sentir
deveras poderosos e confiantes, como se vocês fossem um senador da república
votando secretamente contra os interesses do eleitorado, entendem? Ninguém irá
pegá-los. Não há câmeras escondidas, nem escutas arapongas nas redomas
imaginárias.”
Artigo Completo, ::AQUI::



Um comentário:
Muito bom. Parabéns pelo post
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