Vaca da Cow Parade vai parar no brejo


Eberth Vêncio, Revista Bula

“Consta nos autos das fofocas familiares que o primo Chiquinho fora pego em flagrante fazendo amor (?!) de olhinhos fechados e tudo o mais que se tem direito em matéria de afetividade, com uma égua cupimzeira — eis o codinome emprestado às fêmeas equinas mansinhas que serviam (e ainda o fazem, possivelmente) aos intercursos sexuais de homens adolescentes e adultos pelo interiorzão do Brasil. 

Ante a cena inusitada, a molecada riu à beça da cara de sonso que fazia o primo, debochou dos uivos do lascivo, mas alguns fizeram fila na garupa da égua para se aproveitarem da indolência do pobre animal. Ao invés de moedas ou beijinhos, os moleques pagavam Margarida com suculentas espigas de milho. 

Parece um preâmbulo vulgar demais para se utilizar numa crônica. E é mesmo. Assim como tantas outras atitudes vulgares bem próprias dos seres humanos, como atropelar um ciclista bóia-fria no acostamento de uma autoestrada usando uma Mercedes, e ficar reclamando dos arranhões na lataria enquanto o sujeito agoniza no asfalto. Só rico mesmo para ser tão espirituoso numa hora desta... 

A mania de encostar quadrúpedes em cupins para de suas genitálias tirar proveito sexual tem o nome de Zoofilia ou Bestialismo. A prática era muito corriqueira nas fazendas e rincões, numa época em que a população que morava no campo prevalecia, antes, portanto, do êxodo rural que forçou a mudança de hábitos. Uma vez na “cidade grande”, se não havia éguas mansas cupimzeiras com quem namorar, que os homens se valessem então do ofício das profissionais do baixo meretrício, redutos nos quais que as espigas de milho não eram aceitas como moeda corrente. Nada mais justo, ora bolas. 

Imagino, neste instante, que inúmeras mulheres e feministas saltarão de suas poltronas confortáveis, amaldiçoando este escriba pelos comparativos desconfortáveis, supostamente diminutivos ao mulherio. Contudo, pertencendo obrigatoriamente por nascença à legião humana, eu não abro mão da prerrogativa de chocar o senso comum com as minhas colocações incomuns. Por acaso, assim não teria feito Sartre, por exemplo, ao afirmar que “o Homem é uma paixão inútil”?”
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