Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania
“Além de previsível, por estranho que
pareça julgo positiva a nova insubordinação de cerca de cem chefes militares da
reserva contra a comandante-em-chefe das Forças Armadas, Dilma Vana Rousseff,
que, coincidentemente, é também a presidente da República Federativa do Brasil,
eleita em 31 de outubro de 2010 com 55.752.529 votos, os quais
contabilizaram 56,05% do total de votos válidos.
Os militares da reserva – que muitos chamam
de militares de pijama, mas que adotam discurso grandiloqüente e ameaçador que
obriga a duvidar de que sejam só velhinhos mal-humorados – deixam ver que
continuam dando tão pouco valor ao voto popular quanto davam há pouco menos de
meio século, quando jogaram no lixo outros tantos milhões de votos e puseram o
eleito para correr, após o que passaram a impedir que a sociedade expressasse
seus desejos políticos devido a que certamente achavam que estes não seriam de seu
agrado.
Como na época em que os militares aplicaram
seu peculiar conceito de democracia, conceito esse que passava pela nulidade do
voto popular, também temos hoje setores da imprensa falando pelos possíveis
golpistas, mandando recados ameaçadores a quem a vontade dos brasileiros
transmudou em comandante suprema das Forças Armadas.
Um peão que disputa com extensa fila de
concorrentes o posto que Carlos Lacerda ocupou um dia, saiu recitando trecho
dos Lusíadas em que a personagem de Camões recomenda “cuidado” aos portugueses,
e faz isso no mesmo texto em que critica a presidente por ter exigido de cada
uma das Forças Armadas que repreenda seus membros inativos e insubordinados.”
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