Edival Lourenço, Revista Bula
“Qualquer pessoa, minimamente perceptiva,
que observar a realidade ambiental, haverá de descobrir que esta frágil
placenta em torno do planeta, como um líquen envolvendo um rochedo, e que dá sustentação
à vida, está passando por um processo de desgaste superior à sua capacidade de
regeneração.
Sem o auxílio de equipamentos tecnológicos,
nem estudos sistematizados, pode se ver os rios apodrecendo com nossos dejetos.
Outros sendo assoreados até perder a calha para virar águas andarilhas,
transformando vastas planícies em alagados inúteis. Terras antes férteis sendo
levadas por erosões furiosas, cedendo lugar a ravinas que não param de crescer.
A dizimação de áreas verdes, a poluição do ar, o calor crescente, as
tempestades cada vez mais hostis. Córregos secando, desaparecimento de espécies
num ritmo cada vez mais embalado. Tudo isso testemunha um desastre anunciado.
É possível também constatar, ou pelo menos
deduzir num nível que se permite tirar conclusões bastante convictas, de que a
ação do homem neste momento civilizatório tem o poder de acelerar ou retardar o
processo de desordem nos sistemas de suporte da vida. Por isso os cientistas
chamam este momento de Era Antropozóica. Quando se amplia os sentidos com
as ferramentas de prospecção, ou se adiciona ao entendimento as informações
sistematizadas e as conclusões das pesquisas científicas, a situação se
apresenta escancarada: a continuar o modelo desenvolvimentista atual, é questão
de décadas para que nossos biomas entrem em colapso. Se toda a
população da Terra atingir o nível de vida (nível de consumo) dos americanos,
precisaremos de 5,3 planetas para sobreviver. E o que é mais grave: não sabemos
a hora exata em que ocorrerá o ponto de virada. Quando o próprio sistema de
apodrecimento se auto-alimentará, sem nos dar chances de um arrependimento
eficaz. Mais grave ainda: não localizamos meios ambientes alternativos, onde
possamos resguardar os nossos descendentes.
Diante de sua capacidade de intervenção,
para o bem e para o mal; de posse da razão que lhe concede a capacidade de
entender a realidade e por ela guiar seus atos, parece óbvio que o Homo sapiens
tem o dever moral de buscar fórmulas de atender suas necessidades e desejos,
respeitando os parâmetros da sustentabilidade ambiental. No entanto, isto está
longe de ser uma prática. A insensatez parece se apropriar de todos os
instrumentos que a inteligência inventa e acelera cada vez mais o vandalismo
contra a casa que nos abriga.
Neste e nos próximos artigos, tentarei
alinhar alguns fatos, algumas “falhas morais” de nossa cultura, que levam o
homem a cavar a própria cova numa escala planetária. E não apenas para si
mesmo, mas para várias outras espécies contemporâneas.”
Artigo Completo, ::Aqui::



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