Correio do Brasil / Abr
“Embora as mulheres tenham conquistado o
direito ao voto no Brasil há 80 anos, esse fato não contribuiu para assegurar
uma relação de equidade na representação política. Apesar de ter uma presidenta
mulher, a atual bancada feminina na Câmara Federal representa apenas 8,77% do
total da Casa, com 45 deputadas. No Senado, há 12 senadoras, entre os 81
lugares.
Na opinião do professor José Eustáquio
Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado em estudos
populacionais e pesquisas sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas
(Ence), os partidos políticos brasileiros ainda funcionam como “um grande
funil” que impede o aumento da participação política feminina.
“É como um vestibular que vai selecionando.
Nessa seleção, as mulheres ficam de fora. Quem decide a lista de candidatos são
os homens”, ressaltou. “Se fizermos uma comparação com a proporção nas câmaras
de outros países, o Brasil ocupa o 142º lugar. Há 141 países com participação
melhor de mulheres. Estamos piores que o Afeganistão, Iraque, o Timor Leste,
Moçambique e Angola”, acrescentou Alves, que também contesta a premissa de que
a mulher brasileira não vota em mulher.
Essa baixa proporção de mulheres ocupando
cadeiras no Congresso Nacional foi motivo de cobrança feita ao governo
brasileiro, na semana passada, pelos peritos do Comitê das Nações Unidas para
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Comitê Cedaw). Os
questionamentos ocorreram durante a apresentação, em Genebra, do relatório
produzido por organizações da sociedade civil brasileira.”
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