Edival Lourenço, Revista Bula
“A dizimação e o esgotamento da natureza
envolvem causas e feitos complexos. E mesmo sendo o Homo sapiens, pela própria
condição, a única espécie animal (embora nossa cultura tradicional quer que
sejamos divinos) que poderia se sentir no dever moral de fazer algo efetivo
pela preservação da própria vida na Terra, não tem encontrado no conhecimento
uma família de pensamento ético que lhe dê segurança psicológica de que vale a
pena o sacrifício. É neste contexto, que tenho dito em artigos desta série que,
quando o assunto é preservar nossa célula de sobrevivência, o suporte da vida,
que é a biosfera, a razão está subjugada pela emoção e a inteligência está a
serviço da estupidez.
Ocorre que a maioria de nós funciona melhor
e na maior parte do tempo no plano intuitivo e só ascendemos (ou descemos?) ao
plano crítico quando somos forçados por algum dilema no plano intuitivo. Em
complemento, uma postura hedonista é que orienta nossos atos. Afastamos de
alguma coisa se ela nos causa dor ou desgosto e aproximamos de outra se nos
causa prazer ou satisfação. Odiamos quem nos repreenda e amamos quem nos
elogie. Preferimos um elogio falso a uma repreensão sincera. Quem diz o
contrário ou o faz por hipocrisia ou por um surto de racionalidade. Zelar
pela preservação do meio ambiente requer desligar o piloto automático da
intuição e agir em grande parte com o lado racional e crítico, impondo a si
mesmo, aos seus e à sua geração algum tipo de sacrifício e dor. Ou pelo menos a
mudança de alguns hábitos e a possível descoberta de outros prazeres que estão
além do meramente emocional.
Numa situação assim, não é possível esperar
que as pessoas, por atos de simples abnegação, comecem a fazer coisas em sua
vida que impliquem em maior respeito ao meio ambiente. Posso até, em algum
momento de reflexão, pensar que preciso fazer alguma coisa pela “nossa casa”,
mas logo retorno à vala comum das atitudes da “inteligência emocional” em que o
hedonismo (prazer e dor) vão orientar meus atos pessoais, sociais e até e
sobretudo no tocante ao uso dos bens naturais.
Essas breves considerações nos levam a uma
conclusão lógica: a preservação ambiental tem que ser uma iniciativa das
corporações e dos governos, por terem, em tese, condições de, a partir de
planos racionais e projetos de longo prazo, engendrar políticas e ações que
façam com que a sociedade suporte (por meio de investimentos, imposições e
compensações) o peso do sacrifício. E também porque as pessoas possam ter a
percepção de que o sacrifício é geral e ponderado. Que o grupo, a sociedade
inteira, está contribuindo com a causa. A primeira ideia que nos ocorre é que
seja injusto que eu preserve e o outro desbaste.”
Artigo Completo, ::Aqui::



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