“A ação policial na região da Cracolândia em São Paulo, que completa
um mês nesta sexta-feira, pulverizou a compra e venda de drogas por diferentes
regiões da cidade, e está ajudando a consolidar a substituição do modelo
tradicional de bocas de fumo por um sistema ambulante de tráfico.
Rodrigo Durão Coelho, BBC Brasil
Na Rua Gusmões, no bairro de Campos
Elíseos, no Centro, cerca de 200 pessoas se aglomeram, em diferentes momentos
do dia, no meio da rua e nas calçadas, muitas à espera da próxima passagem do
"pedreiro", gíria dada ao vendedor de pedras de crack.
"Antes, era mais tranquilo porque o
pessoal ficava fumando crack sentado (na Cracolândia). Agora, temos que ficar
andando o dia inteiro, fumando na frente de todo mundo", disse à BBC
Brasil um dependente que caminhava com o grupo "nômade".
Comerciantes locais contrataram seguranças
para expulsar grupos que se formam ocasionalmente na frente de suas lojas e
evitar a criação de novos pontos fixos de compra e venda.
"Não quero que eles fiquem muito
confortáveis aqui", disse um segurança que atua no local. "Eles não
reagem com violência. Saem, mas voltam", acrescentou.
Esse novo sistema de organização do tráfico
e do consumo, mais móvel, está se mostrando um desafio para grupos que tentam
recuperar dependentes como a ONG evangélica Esperança Viva, que atuava há anos
na Cracolândia.”
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