Eberth
Vêncio, Revista Bula
“Engulam:
os Estados Unidos mandaram o homem à lua, e nós enviamos o nosso homem para
falar com o Obama!”. Foi com estas palavras, sentado em sua cadeira reclinável
de tecido puído, com os pés cruzados sobre a mesa, os cantos da boca espumando
como um cão raivoso, que o editor da Revista Bula provocava um concorrente da
imprensa, vangloriando-se pela entrevista que Obama concedera a mim em Nova Iorque.
Quando a gente conta, o povo nem acredita:
“Como assim, você e o... Obama?!”. Como diria Katilaine Suellen (cujo nome no
érre-ge é Maria Aparecida da Silva), estriper da gaiola de número 3 do Buraco
Azul Entretenimentos: “A vida é feita de contatos, tigrão. Relacionamento é
tudo. Com uma agendinha azul nas mãos se vai longe, gracinha”. É de fazer
muitos deputados federais tremerem nas bases.
Nova Iorque é realmente uma metrópole
incrível, por mais que ativistas antiamericanos queimem bandeiras ianques e
jurem o contrário. Ela cheira à modernidade. Multidões entopem as calçadas
falando dialetos do mundo inteiro. Uma mescla de cultura, alta tecnologia e
consumismo desmedido.
“O que mais te impressionou em Nova Iorque?”, foi a
segunda pergunta que me fez o editor quando retornei ao Brasil (a primeira foi:
“sobrou algum dólar, meu chapa?”). Há tempos eu ansiava conhecer Nova Iorque,
única cidade estadunidense que apetecia o meu apetite turístico. Cético não
curto diversão e fantasia. Portanto, cassinos e disneilandias jamais
frequentaram a minha lista de destinos prováveis.
Para subir na vida é necessário nascer
rico, usar uma escada ou participar de algum esquema mensalão. Tem um jeito
muito mais custoso no qual se depende muito da sorte: trabalhar duro. Então,
quebrando alguns porquinhos de porcelana e vendendo rifas honestas para os
amigos e familiares durante todo o ano de 2011, a Revista Bula
conseguiu arrematar um pacote de três noites, a ser pago em doze parcelas, para
este abnegado cronista.
Por que Obama falaria com a gente? Por que,
então, a entrevista não foi concedida em Washington-di-ci? Por que a imprensa
brasileira não repercutiu amplamente um encontro de tamanha envergadura? Por
que eu penso que vocês vão mesmo acreditar numa estória como desta? Bem, por
uma questão de honra e segurança nacional, nós prometemos a CIA que não
entraríamos em maiores detalhes com os leitores e os despeitados. Portanto, prossigamos.”
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